26/06/2026
11h43
oneomania

Não há como negar: comprar dá uma sensação boa. Aquela euforia de receber um pacote, de entrar numa loja e sair com sacolas, de finalmente ter aquele produto que estava na lista de desejos faz parte da experiência do consumo. Mas existe um transtorno, a oneomania, que transforma esse prazer em problema financeiro – e de saúde.

Quando a ação de comprar começa a dominar decisões, comprometer finanças e gerar sofrimento, aquele desejo que era razoável se torna doença. E é sobre esse tema tão sensível e comum que vamos falar no artigo de hoje do Clube Utua.

O que é a oneomania?

Oneomania é o nome técnico para o transtorno de compra compulsiva, também chamado popularmente de vício em compras. O termo vem do grego “onios” (à venda) e “mania” (obsessão). Quem sofre com essa condição sente um impulso irresistível de comprar, muitas vezes sem necessidade real do produto, sem planejamento e sem considerar as consequências financeiras.

Não se trata de simples gosto por consumir ou de uma compra por impulso ocasional. A oneomania é caracterizada pela repetição do comportamento, pela sensação de alívio imediato após a compra (seguida de culpa ou ansiedade), e pela incapacidade de controlar o impulso mesmo diante das consequências negativas.

Aqui, não estamos falando daquela sensação que a maioria de nós experimenta após uma única compra no mês, mas de ações com caráter repetitivo. Compras fora do planejamento, uma vez ou outra, são comuns, mas a compulsão tem características mais profundas, conforme descrevemos acima.

Como a oneomania afeta as finanças?

O impacto financeiro da oneomania pode ser devastador. Cartões de crédito no limite, empréstimos para cobrir dívidas de consumo, cheque especial constantemente no vermelho, e uma sensação permanente de que o dinheiro “some” sem explicação. E o mais difícil é que essa história se repete ao longo do tempo.

Quem vive esse ciclo geralmente não consegue identificar os gastos com clareza, porque cada compra parece pequena isoladamente, mas o conjunto cria uma avalanche de dívidas. Um padrão comum é o chamado ciclo da compra compulsiva: tensão ou ansiedade → impulso de comprar → compra → alívio momentâneo → arrependimento → nova tensão.

E o ciclo recomeça. E aqui, vale lembrar, o problema não está nos produtos comprados, que muitas vezes se tornarão acúmulo de itens sem necessidade, mas na função que o ato de comprar ocupa na vida emocional da pessoa.

Quando os sinais pedem atenção

Alguns sinais merecem atenção: comprar para lidar com emoções negativas como tristeza, estresse ou solidão; esconder compras de familiares ou parceiros; sentir que não consegue parar mesmo querendo; ter dívidas que crescem sem que a vida melhore; acumular produtos que nunca são usados.

Se você se identificou com mais de um desses pontos, vale considerar conversar com um profissional, como um psicólogo ou terapeuta. A oneomania tem tratamento, que geralmente envolve acompanhamento psicológico, e em alguns casos psiquiátrico, além de reeducação financeira.

Finanças e saúde mental andam juntas

Reorganizar as finanças de quem tem oneomania exige mais do que planilhas e cortes de gastos. É preciso tratar a causa raiz: o comportamento compulsivo. Algumas estratégias que ajudam no processo incluem evitar ambientes que estimulam as compras, estabelecer um período de espera antes de concretizar qualquer compra não essencial, ter um acompanhamento de finanças pessoais com alguém de confiança e buscar outras formas de lidar com emoções difíceis.

Lembre-se: pedir ajuda não é fraqueza, e sim o primeiro passo para sair do ciclo e reconquistar o controle sobre a própria vida financeira. E esse controle é possível. Muitas pessoas que enfrentaram a oneomania conseguiram quitar dívidas, reconstituir suas reservas e reaprender a consumir de forma consciente. O caminho começa com o reconhecimento honesto do problema.

Sobre o Autor

Emelyn Vasques
Emelyn Vasques

Jornalista, atua há 8 anos nas áreas de assessoria de imprensa, comunicação e produção de conteúdos para diferentes veículos e plataformas. Destaca-se em sua trajetória a experiências como repórter no Jornal Diário do Comércio, especializado na cobertura econômica de Minas Gerais.