03/09/2026
16h42
orçamento de 2027

As contas públicas para o próximo ano já ganharam um primeiro desenho, e ele chamou atenção: o orçamento de 2027 aponta para um resultado positivo nas contas do governo federal, algo que não acontece há cinco anos. Mas o que isso significa na prática, e como esse processo funciona?

Vamos entender o que é o orçamento de 2027, os números que ele traz, quando ele precisa ser aprovado e o que pode acontecer se houver mudança de governo pelo caminho. Afinal, essas são dúvidas que podem surgir diante de um período eleitoral em curso, não é mesmo?

O que é o orçamento de 2027?

O orçamento de 2027 é o projeto de lei que define quanto o governo federal vai arrecadar e gastar ao longo daquele ano — da saúde à educação, passando por investimentos, salários do funcionalismo e pagamento de dívidas. Ele é enviado todos os anos pelo Poder Executivo ao Congresso Nacional, com prazo constitucional até 31 de agosto.

O Executivo cumpriu esse prazo em 2026, entregando o Projeto de Lei Orçamentária Anual, o PLN 24/2026, na própria data-limite, 31 de agosto. É esse documento que dá origem ao orçamento de 2027, e que agora deverá ser aprovado pelo Congresso Nacional, formado pelo Senado Federal e a Câmara dos Deputados.

Os números que chamaram atenção

O destaque do orçamento de 2027 é a previsão de superávit primário — ou seja, o governo espera arrecadar mais do que gasta, sem contar o pagamento de juros da dívida. O número “cheio” projetado é de R$ 18,6 bilhões, o que seria o primeiro resultado positivo em cinco anos, caso se confirme.

Considerando as regras de exclusão previstas na meta fiscal, o objetivo maior do orçamento de 2027 é de R$ 73,2 bilhões, equivalente a 0,5% do PIB. O valor total previsto para o ano é de R$ 7,449 trilhões, entre despesas financeiras, despesas primárias e investimentos de estatais.

Como e quando o orçamento de 2027 é aprovado?

Depois de enviado pelo Executivo, o orçamento de 2027 passa primeiro pela Comissão Mista de Orçamento (CMO), formada por deputados e senadores. Essa comissão analisa, recebe emendas e vota o texto antes de ele seguir para o plenário do Congresso Nacional.

A expectativa é que o orçamento de 2027 esteja aprovado até dezembro de 2026, para valer desde o primeiro dia do ano seguinte. Esse ciclo tem uma particularidade: normalmente, o Congresso primeiro fecha as regras gerais na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para só depois debater os números específicos do orçamento.

Em 2026, porém, os dois textos chegaram à mesa dos parlamentares quase juntos, o que deve exigir um trabalho extra de ajuste — afinal, os números do orçamento de 2027 precisam se encaixar nas regras que a LDO ainda vai definir.

PLOA, LDO e LOA: entenda as diferenças

Esses nomes parecidos costumam confundir quem não acompanha o assunto de perto, mas a lógica é simples. O PLOA é o Projeto de Lei Orçamentária Anual, ou seja, a proposta enviada pelo Executivo — é o documento que deu origem ao orçamento de 2027 que estamos discutindo aqui.

A LDO, Lei de Diretrizes Orçamentárias, é aprovada antes e estabelece as regras e prioridades que o orçamento deve seguir, como metas fiscais e regras para despesas obrigatórias. Já a LOA, Lei Orçamentária Anual, é o nome que o projeto ganha depois de aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente, tornando-se, enfim, o orçamento de 2027 em vigor.

Entender essa sequência ajuda a acompanhar as notícias sobre o tema sem se perder nas siglas: primeiro vem a LDO, com as regras do jogo; depois o PLOA, com a proposta de números; e, por fim, a LOA, que é a versão final, aprovada e sancionada.

O que muda se houver troca de governo?

2026 é ano de eleição presidencial, e isso gera uma dúvida recorrente: o orçamento de 2027 aprovado agora vale para o próximo presidente, seja ele quem for? A resposta é sim — a peça orçamentária aprovada pelo Congresso rege as contas públicas do ano seguinte, independentemente de quem assuma o cargo em janeiro de 2027.

O novo governo pode propor remanejamentos ao longo do ano, mas a estrutura básica já estará definida. Por isso o orçamento de 2027 é tão observado pelo mercado financeiro: ele sinaliza a direção fiscal do país para o início do próximo mandato presidencial, seja de continuidade, seja de transição.

Por que vale a pena acompanhar esse assunto

Acompanhar decisões como o orçamento de 2027 ajuda a entender o cenário econômico que vai influenciar juros, inflação e investimentos nos próximos meses. Um bom hábito financeiro começa também por aqui: entender as contas do país tanto quanto você entende as suas próprias.

A boa notícia é que esse acompanhamento não exige ser especialista em economia. O Portal do Orçamento, mantido pelo Congresso Nacional, disponibiliza de forma pública o andamento de cada etapa, as emendas propostas e os valores discutidos.

Reservar alguns minutos por mês para acompanhar esse tipo de informação é um exercício simples de cidadania financeira, que te deixa mais preparado para entender o porquê das decisões econômicas que afetam o país inteiro.

Sobre o Autor

Emelyn Vasques
Emelyn Vasques

Jornalista, atua há 8 anos nas áreas de assessoria de imprensa, comunicação e produção de conteúdos para diferentes veículos e plataformas. Destaca-se em sua trajetória a experiências como repórter no Jornal Diário do Comércio, especializado na cobertura econômica de Minas Gerais.