14/05/2026
14h58
paridade cambial

Sabe aquela curiosidade sobre o mundo das finanças que é imperdível? Vamos falar hoje sobre paridade cambial e um tema muito interessante é que houve um momento na história do Brasil em que um real valia um dólar – ou que essas moedas estavam bastante próximas. Você já sabia disso?

Bom, isso aconteceu em 1994, quando o Plano Real foi lançado com uma proposta de paridade cambial entre as duas moedas, entre outras estratégias para conter a hiperinflação no país. Entender como essa paridade cambial funcionou, e por que hoje os valores estão tão distantes, é uma aula prática sobre como a economia funciona de verdade.

O Plano Real e a paridade cambial que durou anos

Em julho de 1994, o Brasil vivia um dos piores períodos de inflação da sua história. Para conter esse caos, o governo criou uma nova moeda, o real, e estabeleceu uma paridade cambial com o dólar na proporção de 1 para 1. Na prática, quem tinha um real podia trocá-lo por um dólar, e vice-versa.

A estratégia funcionou para derrubar a inflação, mas tinha um custo alto: o Brasil precisava manter reservas em dólar para sustentar essa paridade cambial. Em janeiro de 1999, o governo não conseguiu mais segurar e decidiu deixar o real flutuar livremente. A paridade cambial acabou, e o câmbio passou a ser definido pelo mercado.

Quem decide quanto vale o Real?

Hoje, o Brasil adota o chamado câmbio flutuante. Isso significa que o valor do dólar em reais é determinado pela oferta e demanda: quando muita gente quer comprar dólares e poucos querem vender, o preço sobe. O contrário também é verdade.

O Banco Central do Brasil não define o câmbio, mas pode intervir quando as oscilações são muito bruscas, comprando ou vendendo dólares das reservas internacionais do país. É como um árbitro que entra em campo só quando a disputa sai do controle.

O que faz o Real valorizar ou desvalorizar?

Aqui mora o ponto mais interessante e o que mais afeta o seu bolso: o valor do Real, diferente do que acontecia na época da paridade cambial, oscila todos os dias influenciado por fatores internos e externos ao mesmo tempo.

Do lado de dentro do país, a taxa Selic importa muito. Quando os juros brasileiros estão altos, investidores estrangeiros preferem deixar dinheiro aqui para rentabilizar mais, o que aumenta a oferta de dólares e ajuda o real a se valorizar.

A inflação, o déficit fiscal e a estabilidade política também pesam bastante. Em períodos de crise política ou incerteza fiscal, o dólar tende a subir porque os investidores ficam com medo de deixar dinheiro no país.

Fatores externos

Do lado de fora, o Brasil é um grande exportador de commodities como soja, minério de ferro e petróleo. Quando esses produtos estão valorizados lá fora, entram mais dólares no Brasil e o real ganha força.

Mas quando o dólar fica mais forte no mundo inteiro, o que quase sempre acontece em momentos de crise global, o real costuma perder valor. O dólar tem uma função de porto seguro: nos momentos de medo, todo mundo corre para ele.

Como acompanhar o câmbio sem precisar virar economista?

A boa notícia é que você não precisa entender cada detalhe para usar esse conhecimento no dia a dia. Algumas práticas simples já ajudam muito, como acompanhar a cotação do dólar em momentos específicos e estratégicos de sua vida.

Antes de uma viagem internacional ou de uma compra importada, observe o câmbio por pelo menos algumas semanas, já que ele oscila bastante e vale esperar por um momento mais favorável.

E quando você vir os preços no mercado subindo sem razão aparente, lembre que muitos produtos têm componentes importados, e um dólar mais caro se reflete no preço final.

Entender o câmbio – e o que ele tem a ver com a paridade cambial que o Brasil já teve – não é assunto só de economista. É uma ferramenta para tomar decisões mais inteligentes no dia a dia, de uma simples compra no e-commerce internacional a um planejamento de viagem.

Quanto mais você entende como o dinheiro funciona, mais você está no controle da sua própria vida financeira.

Sobre o Autor

Emelyn Vasques
Emelyn Vasques

Jornalista, atua há 8 anos nas áreas de assessoria de imprensa, comunicação e produção de conteúdos para diferentes veículos e plataformas. Destaca-se em sua trajetória a experiências como repórter no Jornal Diário do Comércio, especializado na cobertura econômica de Minas Gerais.