25/02/2026
16h23
penduricalhos

O termo “penduricalhos” pode soar engraçado. Mas no universo das contas públicas brasileiras, o assunto é muito sério e envolve cifras bilionárias que são oriundas dos impostos de todos nós. Se o termo te fez lembrar um colar com vários pingentes, nós podemos associar exatamente a isso: um objeto onde se pode pendurar diversos outros objetos pequenos.

Recentemente, o nome ganhou os holofotes devido a uma decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF, que suspendeu uma série de pagamentos extras a juízes e membros do Ministério Público em todo o país. Mas, afinal, por que algo que parece um simples “detalhe” no contracheque gera tanta polêmica? É o que vamos trazer hoje para nossa análise.

O que são penduricalhos?

A metáfora dos penduricalhos explica bem a situação: imagine um objeto principal, aqui representado pelo salário-base, no qual se penduram penduram diversos pequenos itens. No serviço público, esses itens são auxílios-moradia, alimentação, saúde e diversas gratificações que, individualmente, podem parecer justificáveis.

O problema surge quando esses extras, muitas vezes classificados como “indenizações” para não serem tributados ou limitados, acabam empurrando a remuneração total para muito além do que a lei permite. E nesse ponto, a Constituição brasileira é clara: existe um teto para o que um servidor público pode receber, que é o subsídio de um ministro do Supremo, hoje na casa dos R$ 46 mil.

Contracheques inflados

No entanto, através de leis estaduais ou decisões internas dos próprios tribunais, criaram-se esses atalhos remuneratórios. Na prática, isso permitiu que muitos contracheques furassem esse teto de forma sistemática, criando o que o ministro chamou de uma verdadeira “desordem” no sistema de pagamentos, o que tem sido alvo de duras críticas.

A nova determinação do STF coloca um freio nessa prática ao estabelecer que qualquer benefício extra só tem validade se estiver previsto em uma lei federal aprovada pelo Congresso Nacional. Isso retira o poder de estados e órgãos criarem suas próprias vantagens “caseiras”, que acabavam gerando desigualdades profundas entre carreiras e estados diferentes.

Mais do que uma questão de valores, a decisão busca restaurar a autoridade da Constituição, garantindo que ninguém esteja acima das regras que limitam o gasto do dinheiro público. Em última análise, o corte desses penduricalhos sem respaldo federal não é apenas uma medida de economia, mas de justiça e transparência.

Um olhar para a integridade

Ao organizar a folha de pagamento e exigir que as regras sejam as mesmas para todos, o objetivo é garantir que os recursos da sociedade sejam geridos com razoabilidade e respeito ao equilíbrio das contas, mantendo a integridade do teto salarial que deve valer para todo o país. Mas não é só: deter os abusos com penduricalhos é um olhar para tantas desigualdades que assolam a população brasileira.

Nos próximos dias, o STF volta a debater o assunto com o objetivo de criar uma regra de transição que deve colocar fim aos penduricalhos e estabelecer limites mais claros para todos os estados. Nós seguimos acompanhando essa pauta tão importante para toda a sociedade.

Sobre o Autor

Emelyn Vasques
Emelyn Vasques

Jornalista, atua há 8 anos nas áreas de assessoria de imprensa, comunicação e produção de conteúdos para diferentes veículos e plataformas. Destaca-se em sua trajetória a experiências como repórter no Jornal Diário do Comércio, especializado na cobertura econômica de Minas Gerais.