O aumento de preços de produtos e serviço é quase uma certeza que temos a cada novo ano, concorda? No último 9 de maio, a Agência Nacional de Saúde Suplementar divulgou que os planos de saúde coletivos tiveram um reajuste de 9,90% em 2026.
E esse tema é muito importante porque a maior parte dos brasileiros que possui plano está justamente nessa modalidade dos planos de saúde coletivos (ou empresariais), em que o plano é um benefício oferecido, principalmente, no trabalho.
Mas o que esse número significa na prática? Quanto vai sair do seu bolso e quanto é responsabilidade do seu empregador? Entender essas respostas ajuda a organizar melhor o orçamento e a conhecer os seus direitos, é claro.
Planos de saúde coletivos e individuais: qual é a diferença?
Antes de entender o reajuste, vale saber com qual tipo de plano você está lidando. O plano individual é contratado diretamente pela pessoa com a operadora, sem vínculo com emprego.
Ele é regulado pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), que define anualmente o percentual máximo de reajuste que pode ser aplicado. Em 2026, por exemplo, esse índice para os planos individuais foi de 6,06%.
Já os planos de saúde coletivos são contratados por uma empresa ou entidade para cobrir um grupo de pessoas, como seus funcionários ou associados.
É o modelo mais comum no Brasil, e é justamente nele que se aplica o reajuste de 9,90% de 2026. Como o contrato é feito em bloco e envolve mais pessoas, as regras funcionam de maneira bem diferente, conforme veremos ao longo do artigo.
O tamanho do grupo também muda o reajuste
Dentro dos planos de saúde coletivos, o reajuste ainda varia de acordo com o tamanho do grupo. Planos que cobrem menos de 30 pessoas seguem regras mais próximas dos planos individuais, com reajuste regulado pela ANS, o que oferece mais proteção ao beneficiário.
Já os planos coletivos com 30 ou mais vidas têm o reajuste negociado diretamente entre a empresa e a operadora de saúde. Isso significa que o percentual pode variar bastante de um contrato para outro: uma empresa cujos funcionários usam pouco o plano pode conseguir um reajuste menor na renovação, enquanto outra com alto volume de internações e procedimentos pode receber um índice bem mais alto.
Nesse sentido, vale ressaltar que o valor de 9,90% de aumento nos planos de saúde coletivos é um referencial de mercado para 2026, mas não é um número fixo para todos os contratos.
Quem paga esse aumento?
Essa é a pergunta que mais importa para o trabalhador, e a resposta depende da política de cada empresa. Não existe uma obrigação legal que determine exatamente quanto o empregador deve pagar e quanto pode repassar ao funcionário. Assim, cada empresa decide como vai dividir, ou não, esse custo.
Há empresas que absorvem 100% dos valores dos planos de saúde coletivos, sem cobrar nada do colaborador, o que é considerado um dos benefícios mais valorizados no mercado de trabalho brasileiro.
Outras dividem o custo mensalmente, descontando uma parte direto no contracheque. E há ainda aquelas que trabalham com o modelo de coparticipação: a empresa financia o plano, mas o funcionário paga uma fração toda vez que utiliza o serviço, seja uma consulta, um exame ou uma internação.
Com o reajuste de 9,90% nos planos de saúde coletivos, empresas que repassam o custo integral ao funcionário vão aumentar o desconto no salário nesse mesmo percentual. Já as que trabalham com coparticipação podem corrigir os valores cobrados por cada uso. Por isso, entender exatamente como funciona o seu contrato é essencial para não ser pego de surpresa no fim do mês.
O que observar no seu contracheque
Se você tem desconto de plano de saúde no salário, o contracheque mostra isso de forma detalhada na seção de descontos. Procure por descrições como “plano de saúde”, “assistência médica” ou o nome da operadora. Esse valor pode ter aumentado a partir de abril ou maio de 2026, dependendo da data de aniversário do contrato da sua empresa com a operadora.
Caso note uma alteração no valor descontado e queira entender melhor, o setor de RH pode explicar como é feita a divisão do custo e qual percentual foi aplicado no contrato. Perguntar é um direito seu e saber exatamente o que sai do seu salário todos os meses é o primeiro passo para cuidar melhor do seu dinheiro.
Acompanhar os reajustes dos seus benefícios ao longo do ano pode parecer um detalhe pequeno, mas é exatamente esse tipo de atenção que faz diferença no planejamento financeiro do mês. Quando você entende o que entra e o que sai, toma decisões melhores, e isso vale tanto para o contracheque quanto para qualquer outra conta da sua vida.