Motorista de aplicativo, entregador, faxineira que fecha diária pelo celular: o trabalho por meio de plataformas de serviços já faz parte da rotina de milhões de brasileiros, e os números mais recentes divulgados pelo IBGE, na primeira semana de setembro de 2026, ajudam a entender o tamanho e as características desse mercado que só cresce.
Hoje, no Clube Utua, vamos desdobrar esses números e entender mais sobre a rotina dos profissionais que se dedicam às plataformas de serviços em jornadas de trabalho longas para tirar o sustento principal ou complementar a renda. Vamos ver?
Quantas pessoas trabalham em plataformas de serviços no Brasil?
De acordo com a Pnad Contínua, a pesquisa domiciliar feita periodicamente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quase 2 milhões de pessoas trabalharam por meio de plataformas de serviços no Brasil em 2025, mais precisamente 1,96 milhão.
Esse número representa 1,9% de toda a população ocupada no país e mostra uma alta de 9,1% frente a 2024 e de 36,8% quando comparado a 2022, o que confirma que as plataformas de serviços deixaram de ser um fenômeno pontual para se tornar uma peça relevante do mercado de trabalho brasileiro.
Trabalho principal ou renda extra: como as pessoas usam as plataformas?
Entre quem atua em plataformas de serviços, a maior parte faz desse trabalho a sua principal fonte de renda: 1,8 milhão de pessoas, ou 92,1% do total, tinham no aplicativo a ocupação principal, enquanto outras 182 mil pessoas usavam essa forma de trabalho apenas como um complemento secundário do orçamento.
Dentro desse grupo, os entregadores foram a categoria que mais cresceu: o número de entregadores por aplicativo subiu 18,6% entre 2024 e 2025, a única categoria com aumento de dois dígitos no período, enquanto os motoristas de transporte de passageiros seguem sendo o maior grupo, somando cerca de 1,2 milhão de pessoas.
Jornadas mais longas e renda por hora menor
Um dos pontos que mais chama atenção nos dados sobre plataformas de serviços é a diferença na rotina de quem trabalha por aplicativo. Em 2025, a jornada semanal média de quem atua nesse tipo de trabalho foi de 44,7 horas, bem acima das 39,3 horas dos demais trabalhadores do setor privado.
Apesar de trabalhar mais horas por semana, o rendimento médio mensal ficou praticamente igual: R$ 3.147 para quem trabalha por plataformas de serviços contra R$ 3.148 para os demais ocupados.
Na prática, isso significa que, quando se calcula o valor recebido por hora trabalhada, quem atua em plataformas de serviços ganha 12% a menos, um dado importante para quem pensa em entrar nesse mercado esperando ganhar mais em menos tempo.
Perfil dos trabalhadores
O perfil de quem trabalha em plataformas de serviços também tem características bem marcadas: 84,4% do grupo é formado por homens, contra 15,6% de mulheres, e a faixa etária mais numerosa vai dos 25 aos 39 anos, respondendo por 47% do total.
A informalidade também é alta: 72,1% desses trabalhadores não têm nenhum tipo de registro formal, o que impacta diretamente em direitos trabalhistas e proteção previdenciária, temas que merecem atenção de quem vive dessa forma de trabalho.
O que fica de lição para quem trabalha ou pensa em trabalhar por apps
Os dados do IBGE sobre plataformas de serviços deixam um recado importante: esse é, sim, um caminho real de geração de renda para milhões de brasileiros, mas também exige planejamento, porque a jornada tende a ser mais longa e o rendimento por hora, menor.
Antes de entrar de cabeça nesse tipo de trabalho, vale calcular com calma quantas horas você está disposto a dedicar, quanto isso realmente rende no fim do mês e como organizar uma reserva financeira, já que esse tipo de ocupação normalmente não garante os mesmos direitos de um emprego com carteira assinada.
Vale reforçar um ponto essencial: se você trabalha por conta própria, colocar a contribuição previdenciária em dia não é burocracia, é proteção. Esse cuidado garante muito mais do que a aposentadoria lá na frente — ele também assegura auxílio-doença, salário-maternidade e outros benefícios para os momentos em que você mais precisa de apoio.
Na dúvida sobre qual plano escolher, procure o INSS ou um contador de confiança para decidir com calma, sem pressa. No Clube Utua, a gente acredita que cuidar do dinheiro é cuidar da vida. Organizar o presente, passo a passo, é o que constrói um futuro mais tranquilo — e cada contribuição paga hoje é um degrau a mais nessa caminhada.