19/06/2026
16h12
poupança

A poupança rende menos do que produtos igualmente seguros e acessíveis a qualquer pessoa com R$ 1, e isso nunca foi tão visível quanto em 2026. Com a Selic em 14,25% ao ano, o Brasil vive um dos melhores momentos da história recente para quem quer guardar dinheiro com segurança, mas a maioria dos brasileiros ainda mantém um hábito financeiro antigo sem saber o quanto isso custa.

Para colocar em números: quem deixou R$ 10.000 na poupança ao longo dos últimos doze meses recebeu cerca de R$ 1.000 de rendimento. O mesmo valor no Tesouro Selic teria rendido aproximadamente R$ 1.200 líquidos, com a mesma liquidez diária e a mesma proteção. A diferença não exige conhecimento avançado de finanças, exige apenas trocar de produto.

Por que a poupança perdeu força

A caderneta de poupança segue uma regra definida pelo Banco Central: quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, ela rende 70% da Selic mais a Taxa Referencial (TR), o que equivale a cerca de 10% ao ano. Essa fórmula tem um teto que impede a poupança de acompanhar a Selic de forma integral, e no cenário atual ela ficou para trás.

Com a inflação projetada em torno de 5% para 2026, a poupança entrega um ganho real muito modesto, e ainda perde para alternativas que qualquer pessoa pode acessar hoje. Para ilustrar: R$ 500 guardados por doze meses na poupança rendem cerca de R$ 50. No Tesouro Selic, renderiam aproximadamente R$ 60 líquidos. São R$ 10 a mais por cada R$ 500 guardados, sem nenhum risco adicional.

Três alternativas simples e igualmente seguras

O Tesouro Selic é um título emitido pelo governo federal, disponível a partir de R$ 1 pelo Tesouro Direto, com rendimento atrelado à taxa Selic e liquidez diária. Tem imposto de renda regressivo, que começa em 22,5% e cai para 15% conforme o tempo de aplicação, mas mesmo com o desconto supera a poupança. Para valores até R$ 10 mil, não há taxa de custódia.

O CDB de liquidez diária está disponível em aplicativos de investimento a partir de R$ 1 e rende entre 100% e 110% do CDI, a taxa que acompanha de perto a Selic. Tem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, o FGC, que protege até R$ 250 mil por CPF por instituição, da mesma forma que protege a própria poupança.

A conta remunerada de fintech é a opção mais simples: o dinheiro rende automaticamente sobre o saldo em conta, sem nenhuma ação manual. Também tem cobertura do FGC e costuma pagar 100% do CDI sem cobrar nada por isso.

Para quem é cada opção

O Tesouro Selic é indicado para quem quer a segurança máxima do governo federal e não se importa com o cadastro inicial na plataforma do Tesouro Direto. O CDB de liquidez diária é ideal para quem já tem conta em uma corretora ou aplicativo de investimentos e quer rendimento maior sem abrir mão da liquidez.

A conta remunerada é a escolha de quem prefere a simplicidade total, sem precisar aprender nada novo ou abrir conta em outro lugar. As três têm liquidez diária, o que significa que o dinheiro pode ser retirado quando necessário, exatamente como na poupança. A diferença está no quanto cada uma paga, e essa diferença aparece no saldo ao longo dos meses.

Por que tanta gente ainda está na poupança

A poupança tem mais de sessenta anos de história como o produto financeiro mais popular do Brasil. Muita gente herdou o hábito dos pais e avós, e mudar exige criar conta em outro lugar, aprender uma interface nova e superar o receio de “investir”. É um movimento que parece grande, mas na prática leva poucos minutos.

Esse receio faz sentido, mas migrar da poupança para o Tesouro Selic ou um CDB de liquidez diária não é investir, é simplesmente guardar dinheiro em um produto mais eficiente. O dinheiro continua protegido, continua acessível a qualquer momento, e passa a render mais.

O primeiro passo é verificar se o banco atual oferece CDB de liquidez diária com rendimento de 100% do CDI. Se não oferecer com essa taxa, vale pesquisar plataformas digitais que disponibilizam essa opção sem custo. Trocar não é complicado, e o dinheiro que você já tem guardado merece trabalhar melhor por você.

Sobre o Autor

Mariana Murta
Mariana Murta

Atua desde 2022 como analista de conteúdo do Utua. Já escreveu mais de 2.400 textos para diversos países, explorando diferentes culturas e estilos de comunicação.