O preço dos combustíveis está sofrendo impactos em meio às tensões relacionados à guerra no Irã. E, na hora de abastecer, a gente só vê o número no bomba com aquele ar de preocupação, porque o mesmo valor abastecido no mês passado já não é suficiente para a mesma quantidade litros e quilômetros rodados.
Mas por que isso acontece com tanta frequência? A resposta vai muito além do posto de combustível: ela começa lá no poço de petróleo e percorre uma cadeia longa de etapas antes de chegar na bomba que você conhece. Por isso, vamos falar hoje sobre o que impacta diretamente o preço dos combustíveis, principalmente no cenário atual do mundo.
Da refinaria ao posto: como se forma o preço da gasolina?
Quando falamos em alta nos preços dos combustíveis, a gasolina costuma ser aquela que mais causa de dor de cabeça ao cidadão que tem carro. Mas ele não é o único afetado. Antes de de falarmos sobre as pressões que esses itens exercem sobre toda a cadeia de suprimentos, vamos colocar nossos olhos sobre algo importante: a formação do preço da gasolina.
O valor que você paga no litro de gasolina é construído em etapas. Primeiro, o petróleo bruto é extraído e levado para refino, processo que transforma o óleo cru em combustível. No Brasil, a Petrobras é responsável por grande parte desse trabalho, e ela define o chamado Preço de Paridade de Importação (PPI), que acompanha dois fatores ao mesmo tempo: o valor do barril de petróleo no mercado internacional e a cotação do dólar.
Depois da refinaria, o combustível passa pelas distribuidoras, empresas que compram em grande quantidade e revendem para os postos espalhados pelo país. Cada elo dessa cadeia agrega seu custo, e é só no fim desse caminho que o preço chega até a placa que você lê na rua.
Impostos: a fatia que pesa em cada litro
O preço dos combustíveis também carregam o peso dos impostos. No Brasil, incide sobre a gasolina o PIS/Cofins federal e o ICMS estadual, que varia de estado para estado. Isso explica por que a gasolina pode ser mais barata ou mais cara dependendo de onde você mora ou está viajando. Em alguns estados, o ICMS representa mais de 25% do preço final do litro, o que dá uma boa ideia de como a tributação pesa no bolso do consumidor.
Por que o preço dos combustíveis varia com o dólar?
O câmbio é um fator que muita gente esquece na hora de entender o preço dos combustíveis de forma geral. Como o petróleo é negociado em dólar no mercado internacional, quando a moeda americana sobe em relação ao real, o combustível no Brasil fica mais caro de forma automática, mesmo que o barril de petróleo não tenha mudado de preço lá fora. É como comprar qualquer produto importado: se o dólar subiu, você paga mais. E, para quem ganha em real, esse efeito é sentido diretamente no dia a dia.
Além do carro: por que todos somos impactados?
Aqui está o ponto que a maioria das pessoas não percebe imediatamente: o aumento no preço dos combustíveis, especialmente, do diesel afeta todo mundo. O diesel – que tem algumas diferenças na composição de preço por litro em relação à gasolina, é o combustível que move os caminhões, e os caminhões transportam praticamente tudo o que chega no supermercado.
Quando o diesel sobe, o frete sobe junto, e o preço dos alimentos no mercado acompanha essa alta em seguida. O mesmo vale para entregadores de aplicativo, cujos custos de abastecimento aumentam e acabam sendo repassados no valor do serviço que você paga pelo Pix ou no cartão.
Ou seja, o preço dos combustíveis está embutido no seu carrinho de compras, na sua entrega de comida e no transporte público, mesmo que você nunca abra o tampo do tanque. Agora, quando perceber que o tomate subiu rápido demais, pense não só na produção, mas nos custos de logística/transporte e nos efeitos do aumentos do preço dos combustíveis.
Como reduzir o impacto no seu orçamento?
Mesmo sem conseguir controlar o preço dos combustíveis na bomba, existem atitudes simples que ajudam a sentir menos no bolso. Comparar preços em postos diferentes é o primeiro passo e, para ajudar, há aplicativos gratuitos que mostram os valores mais baixos perto de você.
Se tiver carro com motor flex, vale acompanhar a relação entre gasolina e etanol. Manter os pneus calibrados corretamente também reduz o consumo, já que pneu murcho exige mais esforço do motor. Dica lega, não é mesmo?
Para quem não tem carro, a dica é ficar de olho nos preços do mercado e fazer substituições de itens, sem cortar o essencial, é claro. Entender como o preço dos combustíveis impacta o seu dia a dia é o primeiro passo para deixar de se sentir refém de algo que parece impossível de controlar, concorda?