18/06/2026
16h22
privatização

No último dia 16 de junho, o governo de Minas Gerais concluiu a privatização da Copasa, uma das principais companhias de saneamento com atuação no estado. Com a venda, a Equatorial Energia assumiu o controle da empresa após uma operação de R$ 8,38 bilhões, com o governo vendendo 45% das 50,03% das ações que detinha.

A notícia movimentou o mercado e trouxe de volta uma das discussões mais recorrentes da economia brasileira: afinal, o que significa privatizar uma empresa pública e quais são as consequências disso? Hoje, vamos explorar mais sobre a temática aqui, no Clube Utua.

O que é uma privatização?

Privatizar significa transferir a propriedade ou a gestão de uma empresa estatal para o setor privado. Quando o governo cria ou mantém uma empresa, ele assume o papel de empresário: define tarifas, contrata funcionários, faz investimentos. Quando privatiza, passa esse papel para uma empresa ou grupo de investidores privados.

No Brasil, as grandes privatizações aconteceram principalmente nos anos 1990, quando empresas como a Telebrás e a Vale foram vendidas. Mais recentemente, o debate voltou com força, envolvendo companhias de energia, saneamento, portos e aeroportos.

Por que os governos privatizam?

Os motivos para a privatização variam, mas costumam girar em torno de três pontos. O primeiro deles o é financeiro: ao vender uma empresa estatal, o governo arrecada recursos que podem ser usados para pagar dívidas ou financiar outros serviços, entre outros planos.

No caso da Copasa, as autoridades responsáveis pela condução do processo de privatização declarara que R$ 8,38 bilhões arrecadados serão utilizados para abater a dívida de Minas Gerais com a União.

Já o segundo motivo é operacional: a lógica é que empresas privadas, submetidas à pressão do mercado e ao interesse dos acionistas, tendem a ser mais eficientes – um ponto que gera muito debate entre especialistas com diferentes posicionamentos. O terceiro é político: para governos com visão mais liberal, reduzir a presença do Estado na economia é uma diretriz ideológica.

E quem garante que o serviço vai funcionar?

Essa é a pergunta que mais preocupa quem usa o serviço. No caso da Copasa, a Equatorial Energia – empresa com experiência em distribuição de energia elétrica – assumiu compromissos claros: cumprir metas de universalização do abastecimento de água e do esgotamento sanitário, incluindo áreas rurais e regiões informais.

Esses compromissos são estabelecidos em contratos de concessão e fiscalizados por agências reguladoras. Ou seja, mesmo sendo privada, a empresa não pode simplesmente decidir parar de atender uma comunidade ou cobrar o que quiser. Existe um marco regulatório que define as regras do jogo.

A privatização resolve tudo?

Não necessariamente. O debate sobre privatizações não tem uma resposta única. Existem casos de sucesso, como algumas concessões de aeroportos no Brasil, que melhoraram a qualidade dos serviços, e casos em que a privatização trouxe aumento de tarifas sem a contrapartida esperada em qualidade. Muito depende da qualidade do contrato, da fiscalização regulatória e da competitividade do setor.

A Copasa deve ser apenas o começo de um ciclo mais amplo em Minas Gerais. e seu exemplo deve ser visto por outros estados. O importante é que o cidadão entenda o que está em jogo, não para ser contra ou a favor por princípio, mas para acompanhar de perto se os serviços que dependem do seu dia a dia estão sendo entregues com qualidade, independentemente de quem os opera.

Este exercício de acompanhar de perto pautas como a privatização e outros debates que afetam serviços essenciais e o nosso bolso de forma geral é fundamental. Por isso, no Clube Utua, você conta com informações atuais e muito incentivo para ampliar o seu conhecimento sobre finanças pessoais e a economia.

Sobre o Autor

Emelyn Vasques
Emelyn Vasques

Jornalista, atua há 8 anos nas áreas de assessoria de imprensa, comunicação e produção de conteúdos para diferentes veículos e plataformas. Destaca-se em sua trajetória a experiências como repórter no Jornal Diário do Comércio, especializado na cobertura econômica de Minas Gerais.