Se você tem mais de uma conta em atraso e não sabe qual dívida pagar primeiro, o momento pede atenção redobrada. Nesta quarta-feira, o Comitê de Estabilidade Financeira do Banco Central divulgou a ata de sua 66ª reunião reforçando que o endividamento das famílias brasileiras segue em patamar historicamente alto, com o comprometimento de renda no maior nível já registrado.
O alerta cita, especificamente, o peso do cartão de crédito rotativo e do crédito pessoal sem garantia na composição dessas dívidas, linhas conhecidas por juros elevados. O sinal não é individual, é um retrato de um problema generalizado, o que reforça a importância de saber qual dívida pagar primeiro quando as contas se acumulam.
O critério mais importante: juros, não o valor da dívida
Diante de várias dívidas, é comum querer quitar primeiro a que tem o maior valor, por parecer mais pesada. Mas o critério mais eficiente para saber qual dívida pagar primeiro costuma ser outro, a taxa de juros cobrada em cada uma. Uma dívida pequena, com juros muito altos, cresce mais rápido do que uma dívida maior, mas com juros baixos.
É o caso típico do rotativo do cartão de crédito, uma linha emergencial que, segundo o próprio Banco Central, seguia acima de 400% ao ano em julho, mesmo após sucessivas quedas recentes. Uma dívida de R$ 300 nesse tipo de crédito pode dobrar de tamanho muito mais rápido do que um financiamento de R$ 3.000 com juros de 2% ao mês.
Ranking prático: qual dívida pagar primeiro
Usando o critério dos juros, é possível montar uma ordem geral de prioridade, que ajuda a decidir qual dívida pagar primeiro diante de várias contas em aberto.
- Rotativo do cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal sem garantia, as modalidades mais caras e que costumam merecer prioridade máxima.
- Financiamentos e empréstimos com garantia, com juros menores, mas que ainda pesam no orçamento mensal.
- Crédito consignado, geralmente a modalidade mais barata entre as disponíveis, e por isso a que pode esperar mais no fim da fila.
Vale lembrar que esse ranking é um ponto de partida, não uma fórmula pronta, o ideal é sempre conferir a taxa real de cada contrato antes de decidir por onde começar.
Antes de escolher, organize todas as dívidas em um só lugar
Antes de aplicar qualquer critério e decidir qual dívida pagar primeiro, é preciso ter uma visão completa da situação. Isso significa reunir, em uma lista única, todas as dívidas em aberto, com valor atualizado, taxa de juros e data de vencimento de cada uma.
Essa etapa costuma ser a mais esquecida, mas é também a mais importante, porque é difícil priorizar o que não está mapeado. Uma planilha simples ou até um caderno já ajudam a enxergar o tamanho real do problema e a evitar decisões tomadas apenas pela memória ou pela pressa.
Quando vale negociar em vez de só pagar?
Para dívidas que já estão em atraso, saber qual dívida pagar primeiro pode não ser suficiente sozinho. Nesses casos, vale considerar a negociação diretamente com quem cobra a dívida, seja o próprio credor, seja por meio de plataformas de negociação disponíveis para o consumidor.
Órgãos de defesa do consumidor, como o Procon, também podem orientar em situações de cobrança abusiva ou de dificuldade para chegar a um acordo. Negociar não significa deixar de pagar, mas buscar condições, como parcelamento ou desconto, que caibam de fato no orçamento disponível.
Um primeiro passo diante de várias contas em aberto
Diante de várias dívidas, escolher qual dívida pagar primeiro com base nos juros, e não apenas no valor, é um critério que ajuda a organizar as prioridades sem depender de intuição. Isso não elimina a dívida nem resolve o problema sozinho, mas evita que o custo total continue crescendo enquanto a decisão é adiada.
O cenário atual, com juros elevados e sinais de alerta do próprio Banco Central sobre o endividamento das famílias, reforça que organizar as contas, entender os juros de cada uma e buscar negociação quando necessário são passos que fazem diferença real para quem está tentando sair do vermelho.