Muita gente acredita que renda fixa significa retorno garantido e ausência de risco. Essa ideia só é parcialmente verdadeira. Quando você mantém um título até o vencimento e o emissor honra o pagamento, o valor contratado tende a ser respeitado. O problema começa quando o investidor precisa vender antes do prazo.
Nesse momento, entra em cena a chamada marcação a mercado, mecanismo que ajusta diariamente o preço do título conforme as condições da economia. Se os juros sobem depois que você comprou o papel, o valor dele pode cair. E essa queda pode gerar prejuízo real caso a venda aconteça antes do vencimento. Ou seja, não é o calote que gera perda, mas a dinâmica dos juros na renda fixa.
O que é duration e porque ela importa?
Duration é uma métrica que mede a sensibilidade de um título às variações da taxa de juros. Quanto maior a duration, maior o impacto de uma mudança na curva de juros sobre o preço do papel. Títulos prefixados longos como a renda fixa e papéis atrelados à inflação com vencimentos distantes costumam ter duration elevada.
Isso significa que pequenas oscilações na taxa básica podem provocar variações relevantes no valor investido. Em cenários de alta de juros, esses títulos tendem a cair mais. Já em ciclos de queda, podem valorizar de forma expressiva.
Entender duration é essencial para quem deseja montar uma estratégia mais sofisticada e evitar surpresas desagradáveis com o retorno da sua renda fixa.
Como funciona a marcação a mercado na prática?
A marcação a mercado ajusta diariamente o preço dos títulos de acordo com as taxas negociadas naquele momento. Imagine que você comprou um título prefixado pagando 10% ao ano. Se, meses depois, novos títulos passam a oferecer 12%, seu papel se torna menos atrativo.
Para que ele continue competitivo, o preço precisa cair. Esse ajuste acontece automaticamente nas carteiras e extratos. Muitos investidores se assustam ao ver saldo negativo e acreditam que houve erro ou risco de calote, quando na verdade é apenas uma reprecificação.
Essa lógica vale também no sentido oposto. Se os juros caem, títulos antigos com taxa maior se valorizam.
O erro comum de quem ignora o ciclo econômico
Investidores iniciantes costumam olhar apenas a taxa contratada e ignorar o momento econômico. Em períodos de juros baixos, títulos longos parecem atraentes porque travam uma taxa maior por muitos anos. O risco aparece quando o cenário muda.
Se houver pressão inflacionária ou alteração na política monetária, a curva de juros sobe e os preços caem. Quem precisa de liquidez nesse momento pode sair com perdas. Por isso, estratégia importa mais do que taxa isolada. Avaliar prazo, necessidade de caixa e cenário macroeconômico faz parte de uma decisão madura.
Estratégias para reduzir o risco oculto da renda fixa!
Uma das formas de reduzir o impacto da marcação a mercado é alinhar prazo do investimento ao prazo da necessidade do recurso. Se o objetivo é usar o dinheiro em três anos, faz sentido escolher títulos com vencimento próximo a esse período.
Outra estratégia é diversificar indexadores, combinando pós-fixados com papéis atrelados à inflação e prefixados. Isso reduz a exposição concentrada a um único movimento de juros. Também é possível manter parte da carteira em ativos com menor duration, que sofrem menos com oscilações.
O ponto central é entender que renda fixa não é sinônimo de ausência de risco, mas sim de risco diferente.