28/09/2026
19h12
Rendimento da poupança

A poupança é o investimento mais popular do Brasil, e não é difícil entender por quê. Abrir uma conta é simples, o dinheiro fica disponível a qualquer momento e o rendimento da poupança não tem cobrança de Imposto de Renda para pessoas físicas. Por isso, ela segue como destino do dinheiro de boa parte de quem está começando a guardar dinheiro.

Mas popular não significa necessariamente vantajosa. Desde março de 2026, o Copom vem cortando a Selic, a taxa básica de juros do país, em cinco reuniões consecutivas, levando a taxa a 13,75% ao ano em setembro. Mesmo com os cortes, o rendimento da poupança em 2026 continua menor do que o de outras aplicações seguras, e entender o motivo ajuda a decidir melhor.

Como funciona o rendimento da poupança?

O rendimento da poupança segue duas regras, conforme o nível da Selic. Acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR), índice divulgado diariamente pelo Banco Central. Em 8,5% ou menos, passa a render 70% da Selic mais a TR. Hoje, vale a primeira regra.

Os 0,5% ao mês equivalem a cerca de 6,17% ao ano. Como a TR também entra no cálculo e muda de período para período, o rendimento efetivo da poupança pode variar. Considerando a TR recente, a rentabilidade anualizada fica na faixa de 8% ao ano.

O rendimento da poupança só é creditado na data de aniversário, um mês depois de cada depósito. Quem saca antes dessa data perde o rendimento daquele período.

Por que outras opções rendem mais que a poupança?

Na renda fixa, você conhece a regra de remuneração desde o início, prefixada ou atrelada a um indicador como o CDI ou a Selic, mas o valor final ainda depende de como esse indicador se comporta até o resgate. O CDB, título emitido por bancos, muitas vezes paga 100% do CDI ou mais, índice bem próximo da Selic.

O CDB tem desconto de Imposto de Renda sobre o lucro, que diminui quanto mais tempo o dinheiro fica aplicado, mas mesmo assim costuma superar o rendimento da poupança. Numa simulação com R$ 10 mil aplicados por um ano:

  • Poupança: cerca de R$ 830,00 considerando a taxa atual
  • CDB a 100% do CDI: cerca de R$ 1.160,00 líquidos, já descontado o imposto

O Tesouro Selic segue a mesma lógica: acompanha a Selic, tem liquidez em qualquer dia útil e é garantido pelo Tesouro Nacional. Até R$ 10 mil por CPF, não há cobrança de taxa de custódia.

Quando a poupança ainda faz sentido?

Ela não cobra taxas, não tem imposto e permite sacar na hora, sem burocracia, o que é prático para valores pequenos ou para quem está criando o hábito de guardar dinheiro. No CDB e no Tesouro Selic, quem resgata antes de 30 dias paga IOF, imposto que reduz o ganho.

Poupança e CDB também são cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com garantia de até R$ 250 mil por CPF, por instituição ou conglomerado financeiro, respeitado um limite total de R$ 1 milhão a cada quatro anos.

O que considerar antes de tirar o dinheiro da poupança

Antes de mudar o dinheiro de lugar, vale responder a algumas perguntas:

  • Para que serve esse dinheiro?
  • Em quanto tempo posso precisar dele?
  • Vou deixar o valor aplicado por mais de 30 dias?
  • Estou confortável em usar um aplicativo de investimentos?

Se o dinheiro pode ficar guardado por alguns meses, vale comparar o rendimento da poupança com o do Tesouro Selic ou de CDBs com resgate diário. Lembre também que, se a Selic continuar caindo, essa diferença tende a ficar menor.

A decisão que começa com informação

A poupança acompanhou gerações de brasileiros pela simplicidade. Mesmo rendendo menos hoje, ainda tem papel para quem valoriza praticidade e acesso rápido ao dinheiro. Mais informação é o que dá a capacidade de escolher com consciência, e não por hábito.

No Clube Utua, acompanhamos as decisões sobre a Selic para mostrar, de forma simples, como elas afetam o rendimento da poupança e o seu bolso. Antes de mudar de aplicação, compare quanto cada opção rende no fim, já com impostos, e por quanto tempo o dinheiro vai ficar guardado.

Sobre o Autor

Mariana Murta
Mariana Murta

Atua desde 2022 como analista de conteúdo do Utua. Já escreveu mais de 2.400 textos para diversos países, explorando diferentes culturas e estilos de comunicação.