Investidores com perfis mais tolerantes às perdas precisam aprofundar o conhecimento sobre diferentes movimentos na economia. O risco de crédito é uma das variáveis que devem ser observadas em meio a tantas incertezas que devem ser avaliadas quando falamos de ativos mais suscetíveis aos fatores externos e das próprias instituições responsáveis pela emissão de títulos.
Hoje, vamos falar sobre esse assunto não para promover o medo do investimento, mas para que você tenha a capacidade de avaliar o risco de crédito de cada aplicação financeira. Isso promove, na verdade, mais segurança para você tomar as melhores decisões. Como sempre dizemos aqui, no Clube U., a educação financeira pode nos levar a ter retornos satisfatórios.
O que é o risco de crédito?
Quando colocamos nosso dinheiro em títulos de dívida que vão trazer bons rendimentos ao longo do tempo, nós confiamos que o tomador dos recursos, que pode ser um banco, por exemplo, consiga honrar aquela promessa de oferecer retornos financeiros. Ou seja, os investidores emprestam dinheiro ao fazer aplicações financeiras.
E o risco de crédito significa justamente essa possibilidade de perdas diante de diferentes dificuldades que esse tomador de recursos possa enfrentar no futuro. Nesses casos, é possível que os juros e outras formas de rentabilidade, como o capital em dívida, não sejam pagos aos investidores – mas atenção: existem mecanismos que protegem os investidores.
Proteção aos investidores
A primeira forma de proteção ao risco de crédito que queremos falar para te tranquilizar é bastante conhecida no Brasil: os títulos emitidos por bancos e outras instituições financeiras, como os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) são protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos, o FGC.
Ou seja, quando falamos aos nossos leitores que podem buscar investimentos de renda fixa, que rendem de forma superior à poupança, ainda estamos falando de opções seguras. É necessário observar, contudo, que o FGC traz limites de cobertura, que, geralmente, é de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ – em um período de 4 anos, é possível recuperar até R$ 1 milhão em casos de fechamentos de outras instituições financeiras (liquidação extrajudicial).
Como ficam os títulos de instituições não financeiras?
Quando falamos em fundos de investimentos e títulos privados, a exemplo de debêntures e notas promissórias, e que geralmente são aplicações feitas por pessoas com mais conhecimento e experiência no mundo financeiro, é importante saber que não há essa proteção do FGC. O risco de crédito, portanto, é maior – assim como os retornos financeiros são mais altos, já que há mais exposição ao risco.
Pessoas que se expõem a esse tipo de risco de crédito costumam ter uma carteira bastante diversificada, de modo que as perdas não significarão uma falência. Além disso, em muitos casos, esses ganhos são muito altos, o que compensa toda essa situação de incertezas sobre o futuro de um dinheiro investido em ativos mais arriscados.
É possível eliminar o risco de crédito?
Não é possível eliminar o risco, mas, como vimos, é recomendado que você prefira aplicações que são cobertas pelo FGC. Apenas quando você tiver mais segurança, conhecimento e um patrimônio já consolidado, com outras opções de investimentos, é que é interessante começar a se aventurar – mas sem deixar as perdas abalarem o psicológico.
E uma dica final é: faça aplicações cujos emissores tenham uma boa classificação de risco de crédito, que é mais conhecido como rating. Isso é fundamental pois demonstra que uma instituição é sólida no mercado e que trabalha de acordo com as melhores práticas. Por fim, saiba que existe sim um título considerado livre do risco de crédito: os títulos do Tesouro Nacional, já que não existe tanto o risco de inadimplência em um país.