Ao financiar um imóvel, quem contrata precisa escolher entre SAC ou Price, os dois sistemas de amortização mais usados no Brasil. Grande parte dos compradores assina o contrato sem parar para entender o que essa escolha representa no bolso ao longo dos anos. Muitas vezes, a opção já vem pré selecionada na simulação apresentada pela instituição financeira, e passa batido. A diferença entre os dois sistemas pode significar milhares de reais de juros no total pago.
O nome técnico assusta, mas o conceito por trás dele é simples de acompanhar. Entender como cada sistema funciona ajuda a comparar propostas com mais segurança antes de assinar qualquer contrato. A seguir, veja o que muda entre SAC ou Price e como essa escolha impacta o custo final da dívida.
O que é amortização?
Toda parcela de financiamento é formada por duas partes, a amortização e os juros. A amortização é o valor que efetivamente reduz o saldo devedor, enquanto os juros remuneram o valor que ainda falta pagar.
Na prática, é como se cada parcela dividisse o pagamento em duas caixinhas, uma que abate a dívida e outra que remunera quem financiou o valor. Essa lógica vale para SAC ou Price, mudando apenas a proporção entre as duas partes em cada mês.
É exatamente a forma como essas duas partes se comportam ao longo do tempo que diferencia SAC ou Price. Em um dos sistemas, a amortização fica fixa e os juros diminuem mês a mês. No outro, a parcela fica fixa e a proporção entre amortização e juros muda ao longo do contrato.
Sistema SAC: parcelas que começam maiores e diminuem
No SAC, sigla para Sistema de Amortização Constante, o valor amortizado é sempre o mesmo em todas as parcelas. Como o saldo devedor cai de forma constante, os juros cobrados também diminuem a cada mês. O resultado é uma parcela que começa mais alta e vai reduzindo até o fim do contrato, um dos pontos que mais diferencia SAC ou Price no dia a dia do financiamento.
Essa característica faz com que o SAC costume gerar um total de juros menor ao longo de todo o financiamento. Quem opta pelo SAC paga mais no início, mas tende a economizar no acumulado. É uma escolha que exige fôlego financeiro maior justamente nos primeiros anos, o que pode fazer sentido para quem já tem uma renda mais estável no momento da contratação.
Tabela Price: parcelas fixas do início ao fim
Na Tabela Price, o valor da parcela permanece igual do primeiro ao último mês, o que facilita o planejamento financeiro. É aí que a diferença entre SAC ou Price fica mais evidente já nos primeiros meses do contrato. Para manter essa parcela fixa, a proporção entre juros e amortização muda ao longo do tempo, e no início a maior parte do valor pago corresponde a juros, com uma amortização menor.
Com o passar do tempo, essa proporção se inverte e a amortização passa a representar uma parcela maior do pagamento. Como os juros pesam mais no início do contrato, o total pago ao longo do financiamento tende a ser maior do que no SAC. Em troca, existe a vantagem da previsibilidade da parcela mês a mês, algo que costuma pesar na decisão de quem organiza o orçamento com um valor fixo.
Qual sistema você deve escolher no seu financiamento?
Não existe um sistema melhor de forma absoluta, existe o que faz mais sentido para cada momento financeiro. O SAC pode compensar para quem consegue arcar com parcelas iniciais mais altas e quer pagar menos juros no total. A Tabela Price pode ser mais adequada para quem precisa de uma parcela menor e estável logo no início do contrato, ainda que isso signifique um custo total mais alto ao final.
Antes de assinar qualquer contrato, vale simular os dois sistemas e comparar o Custo Efetivo Total, não apenas o valor da primeira parcela. Esse número reúne juros, taxas e demais encargos, mostrando o custo real de cada opção ao longo dos anos. Este conteúdo tem caráter educativo, e a simulação individual junto à instituição responsável pelo financiamento é o passo indicado para decidir entre SAC ou Price com mais segurança.