13/08/2026
11h55
SAC ou Price

Ao financiar um imóvel, quem contrata precisa escolher entre SAC ou Price, os dois sistemas de amortização mais usados no Brasil. Grande parte dos compradores assina o contrato sem parar para entender o que essa escolha representa no bolso ao longo dos anos. Muitas vezes, a opção já vem pré selecionada na simulação apresentada pela instituição financeira, e passa batido. A diferença entre os dois sistemas pode significar milhares de reais de juros no total pago.

O nome técnico assusta, mas o conceito por trás dele é simples de acompanhar. Entender como cada sistema funciona ajuda a comparar propostas com mais segurança antes de assinar qualquer contrato. A seguir, veja o que muda entre SAC ou Price e como essa escolha impacta o custo final da dívida.

O que é amortização?

Toda parcela de financiamento é formada por duas partes, a amortização e os juros. A amortização é o valor que efetivamente reduz o saldo devedor, enquanto os juros remuneram o valor que ainda falta pagar.

Na prática, é como se cada parcela dividisse o pagamento em duas caixinhas, uma que abate a dívida e outra que remunera quem financiou o valor. Essa lógica vale para SAC ou Price, mudando apenas a proporção entre as duas partes em cada mês.

É exatamente a forma como essas duas partes se comportam ao longo do tempo que diferencia SAC ou Price. Em um dos sistemas, a amortização fica fixa e os juros diminuem mês a mês. No outro, a parcela fica fixa e a proporção entre amortização e juros muda ao longo do contrato.

Sistema SAC: parcelas que começam maiores e diminuem

No SAC, sigla para Sistema de Amortização Constante, o valor amortizado é sempre o mesmo em todas as parcelas. Como o saldo devedor cai de forma constante, os juros cobrados também diminuem a cada mês. O resultado é uma parcela que começa mais alta e vai reduzindo até o fim do contrato, um dos pontos que mais diferencia SAC ou Price no dia a dia do financiamento.

Essa característica faz com que o SAC costume gerar um total de juros menor ao longo de todo o financiamento. Quem opta pelo SAC paga mais no início, mas tende a economizar no acumulado. É uma escolha que exige fôlego financeiro maior justamente nos primeiros anos, o que pode fazer sentido para quem já tem uma renda mais estável no momento da contratação.

Tabela Price: parcelas fixas do início ao fim

Na Tabela Price, o valor da parcela permanece igual do primeiro ao último mês, o que facilita o planejamento financeiro. É aí que a diferença entre SAC ou Price fica mais evidente já nos primeiros meses do contrato. Para manter essa parcela fixa, a proporção entre juros e amortização muda ao longo do tempo, e no início a maior parte do valor pago corresponde a juros, com uma amortização menor.

Com o passar do tempo, essa proporção se inverte e a amortização passa a representar uma parcela maior do pagamento. Como os juros pesam mais no início do contrato, o total pago ao longo do financiamento tende a ser maior do que no SAC. Em troca, existe a vantagem da previsibilidade da parcela mês a mês, algo que costuma pesar na decisão de quem organiza o orçamento com um valor fixo.

Qual sistema você deve escolher no seu financiamento?

Não existe um sistema melhor de forma absoluta, existe o que faz mais sentido para cada momento financeiro. O SAC pode compensar para quem consegue arcar com parcelas iniciais mais altas e quer pagar menos juros no total. A Tabela Price pode ser mais adequada para quem precisa de uma parcela menor e estável logo no início do contrato, ainda que isso signifique um custo total mais alto ao final.

Antes de assinar qualquer contrato, vale simular os dois sistemas e comparar o Custo Efetivo Total, não apenas o valor da primeira parcela. Esse número reúne juros, taxas e demais encargos, mostrando o custo real de cada opção ao longo dos anos. Este conteúdo tem caráter educativo, e a simulação individual junto à instituição responsável pelo financiamento é o passo indicado para decidir entre SAC ou Price com mais segurança.

Sobre o Autor

Mariana Murta
Mariana Murta

Atua desde 2022 como analista de conteúdo do Utua. Já escreveu mais de 2.400 textos para diversos países, explorando diferentes culturas e estilos de comunicação.