20/04/2026
17h08
parcelamento sem juros 1

Parcelamento sem juros até 10 vezes. Eu vou querer, e você? Mas opa… será que isso não é bom demais para ser verdade? Será que não mora nenhuma pegadinha nessa forma de pagamento que ganha o nosso coração? É, a verdade é que a possibilidade de dividir uma compra de valor alto é boa, mas podemos perder dinheiro.

E sabe por qual motivo podemos estar pagando mais por um produto que seria melhor comprar à vista? Porque o anúncio do parcelamento sem juros acaba nos deixando felizes demais para fazer uma pergunta crucial: “tem desconto à vista?”. Se nós já temos o não, buscar o sim e garantir um bom desconto deveria ser regra número 1 para quem quer economizar, não é mesmo?

Qual é a pegadinha do parcelamento sem juros?

A estratégia das lojas ao oferecer um parcelamento sem juros é muito interessante porque atrai as pessoas que não desembolsariam o valor daquele produto de uma só vez por vários motivos. Mas o que precisamos pensar é que se um produto sai mais barato à vista, então quer dizer que o parcelamento sem juros não é real assim.

O que acontece é que os juros são cobrados, mas isso não fica claro para os clientes, pois esse valor é embutido nas parcelas e no próprio anúncio do lojista. Ou seja, você tem a falsa sensação de estar pagando algo sem juros, mas a verdade é que você está deixando de economizar por ter optado por uma forma de pagamento que não traz vantagens.

A teoria e a prática

Vamos imaginar que você precisa de um fogão novo. O modelo dos seus sonhos custa R$ 2.000,00 (dois mil reais) e, naquele momento, a loja está oferecendo um parcelamento de 10 vezes sem juros. E você pensa: “tudo bem, uma parcela de R$ 200,00 (duzentos reais) ao mês cabe no meu orçamento”. Dessa forma, você conclui a compra.

Ao seu lado, um desconhecido faz a compra à vista do mesmo fogão, e essa pessoa consegue um desconto de 10% sobre o valor total. Ou seja, ela vai pagar R$ 1.800,00 (mil e oitocentos reais) pelo mesmo produto. Você está deixando de economizar R$ 200,00. E é claro que em algumas situações na vida vamos precisar mesmo fazer essa escolha, porque não temos o valor total e não podemos mais esperar.

A pergunta que não pode calar

No exemplo acima, aprendemos que é necessário perguntar o valor de cada produto à vista. Se você não pode esperar, o parcelamento “sem juros” talvez seja a única saída. Mas se você pode esperar para comprar esse eletrodoméstico após juntar todo o valor, essa pode ser a melhor saída para evitar o pagamento de juros ocultos – digamos assim.

Por isso, nunca deixe de perguntar. Ao ter o valor total de uma compra, só parcele se realmente o lojista negar qualquer redução de valor. Do contrário, faça uma negociação, pechinche bastante, até conseguir o melhor preço no pagamento à vista.

Quando parcelar vale a pena?

Existe uma outra forma em que o parcelamento “sem juros” – sempre entre aspas agora que conhecemos essa estratégia – pode ser interessante. Estamos falando aqui de uma situação que precisa ser bem avaliada. Mas observe que, se você conseguir aplicar/investir os mesmo R$ 2.000,00 do fogão em um bom ativo, e esse valor render mais que o desconto, aí sim o parcelamento valerá a pena.

Suponha que você invista dois mil reais em uma aplicação financeira de renda fixa e que o rendimento anual será de 15%. Nesse caso, em um ano, o rendimento será de 300 reais. Ou seja, é R$ 100,00 a mais que o valor do desconto. Contudo, você deve estudar bem essa escolha e garantir que o seu rendimento não seja corroído pela inflação.

Esperamos que tenha gostado de descobrir por que o sem juros nem sempre é tão sem juros assim. Nós incentivamos você a sempre observar quais são as melhores formas de pagar suas compras e priorizar o pagamento à vista ou o bom investimento do valor. Até a próxima!

Sobre o Autor

Emelyn Vasques
Emelyn Vasques

Jornalista, atua há 8 anos nas áreas de assessoria de imprensa, comunicação e produção de conteúdos para diferentes veículos e plataformas. Destaca-se em sua trajetória a experiências como repórter no Jornal Diário do Comércio, especializado na cobertura econômica de Minas Gerais.