20/02/2026
11h46
home office

Nos últimos anos, o home office deixou de ser exceção e passou a ser meta profissional para muita gente que está começando a carreira. Impulsionado pela digitalização acelerada e pelas mudanças no mercado de trabalho, o modelo remoto ganhou espaço e passou a ser visto como sinônimo de qualidade de vida.

A ideia de eliminar deslocamentos longos, economizar tempo no trânsito e ter mais flexibilidade de horários parece perfeita, especialmente para quem está iniciando a trajetória profissional e busca mais autonomia. Mas, antes de idealizar esse formato, é importante refletir: será que essa liberdade é tão simples quanto parece na prática?

Flexibilidade exige maturidade

No ambiente presencial, a estrutura já está pronta: horário definido, supervisão direta, colegas por perto, reuniões organizadas e uma separação clara entre casa e trabalho. Essa estrutura facilita a adaptação de quem está começando, porque cria limites naturais e um ritmo de funcionamento mais previsível.

No modelo de home office, essa linha desaparece. Quem trabalha de casa precisa organizar a própria rotina, definir prioridades, controlar distrações e manter produtividade mesmo sem alguém acompanhando cada etapa do processo.

Para quem está no início da carreira, essa autonomia pode ser especialmente desafiadora. Além disso, a ausência de convivência presencial reduz oportunidades espontâneas de aprendizado, como conversas informais, observação do comportamento de profissionais mais experientes e trocas rápidas que acontecem naturalmente no escritório.

Economia real ou custo escondido?

É verdade que o home office pode reduzir gastos com transporte, estacionamento, combustível e alimentação fora de casa. Essa economia imediata costuma ser um dos principais argumentos a favor do home office.

No entanto, existem custos menos visíveis que precisam ser considerados. Aumento na conta de energia elétrica, necessidade de internet de alta qualidade, compra de cadeira adequada, mesa confortável e equipamentos tecnológicos são investimentos que, muitas vezes, recaem sobre o próprio profissional.

Além dos custos financeiros, há também impactos menos tangíveis. Trabalhar no mesmo ambiente em que se descansa pode afetar a concentração e o equilíbrio emocional. A dificuldade de “desligar” após o expediente é comum no remoto, especialmente quando não existe um espaço físico separado para o trabalho.

Crescimento profissional no home office

Outro ponto relevante é o desenvolvimento profissional. Para iniciantes, estar fisicamente próximo de colegas mais experientes facilita o aprendizado informal, que acontece por observação, escuta e interação direta.

No modelo remoto, esse aprendizado não desaparece, mas exige postura mais ativa. É preciso fazer perguntas com frequência, solicitar feedback, agendar conversas de alinhamento e comunicar resultados com clareza e objetividade.

Vale a pena começar remoto?

Para alguns profissionais iniciantes, começar no modelo presencial pode acelerar o aprendizado, fortalecer a construção de rede de contatos e facilitar o desenvolvimento de habilidades comportamentais.

O ponto central é não escolher apenas pela ideia de conforto ou pela promessa de flexibilidade. A decisão deve considerar estratégia de desenvolvimento, perfil pessoal e objetivos de longo prazo. Modelo de trabalho também é decisão de carreira.

Sobre o Autor

Silvia Azevedo
Silvia Azevedo

Desde 2022 integra o time de conteúdo do Utua, produzindo materiais em diversos idiomas. Com vivência internacional na França e nos Estados Unidos, combina visão analítica e criatividade para promover soluções que unam resultados e impacto positivo.