O stop loss costuma ser tratado como sinônimo de gestão de risco. Embora seja uma ferramenta útil, ele está longe de resolver o problema central do investidor: controlar perdas de forma consistente ao longo do tempo.
Em estratégias mais maduras, o risco não é um evento pontual, mas uma característica estrutural da carteira. Entender isso exige ir além de ordens automáticas de venda e olhar para métricas que realmente influenciam a sobrevivência e o crescimento do patrimônio.
Por que stop loss não é gestão de risco?
O stop loss atua no nível do ativo individual e reage a movimentos de preço já ocorridos. Ele não considera correlação entre posições, concentração excessiva nem o impacto agregado de perdas simultâneas.
Em cenários de estresse, ativos teoricamente distintos podem cair juntos, tornando stops ineficientes ou até prejudiciais. Gestão de risco começa antes da entrada no investimento, na definição de tamanho de posição e na estrutura da carteira.
Drawdown máximo: o risco que o investidor sente na prática
O drawdown máximo mede a maior perda acumulada entre um pico e o fundo da carteira. Diferente da volatilidade, ele reflete o impacto psicológico e financeiro real enfrentado pelo investidor.
Carteiras com retornos semelhantes podem ter drawdowns muito distintos, e essa diferença costuma determinar quem permanece investido ao longo do tempo. Ignorar essa métrica é subestimar o risco mais difícil de administrar: o comportamental.
O Value at Risk (VaR) estima perdas potenciais dentro de um determinado nível de confiança, sendo útil para entender cenários adversos prováveis. Já o stress testing avalia o comportamento da carteira em eventos extremos, mesmo que raros. Ambas as ferramentas têm limitações e não devem ser tratadas como previsões, mas ajudam a revelar fragilidades ocultas que não aparecem em períodos normais de mercado.
Risco de cauda e eventos fora da curva
Eventos de baixa probabilidade e alto impacto, conhecidos como riscos de cauda, são frequentemente subestimados ou ignorados por modelos tradicionais de análise, que se baseiam majoritariamente em dados históricos e distribuições estatísticas estáveis.
O problema surge quando essas premissas deixam de valer, geralmente em momentos de ruptura, como crises financeiras, choques geopolíticos ou mudanças abruptas de política econômica.
Nessas situações, o risco de cauda se materializa de forma intensa, afetando principalmente estratégias excessivamente alavancadas ou carteiras muito concentradas, que não possuem margem de manobra para absorver perdas inesperadas.
Gestão de risco é diferente de stop loss!
Gestão de risco não é eliminar perdas, mas garantir que elas sejam absorvíveis. Investidores que vão além do stop loss entendem que risco é sistêmico, cumulativo e, muitas vezes, invisível até se materializar. Incorporar métricas como drawdown, VaR e stress testing não torna a carteira infalível, mas reduz a probabilidade de erros irreversíveis. No longo prazo, sobreviver é pré-requisito para performar.