05/10/2026
11h43
jovem no celular antes de dormir com pacotinhos ao lado após o fim da taxa das blusinhas

Taxa das blusinhas zerada, carrinho cheio: desde maio, quem compra em sites do exterior, certificados pela Receita Federal, não paga mais o imposto federal de 20% sobre encomendas de até US$ 50, e o “ficou mais barato” tomou o feed. Só que a fatura chega e conta outra história — a blusinha de R$ 39,00, a capinha de R$ 22,00 e um organizador de gaveta que ninguém lembra de ter pedido.

Com o 11.11 e a Black Friday batendo na porta, vale entender o que mudou e por que as comprinhas que não parecem gasto são as que mais pesam. Vamos conversar sobre o assunto?

O que mudou com o fim da taxa das blusinhas

A taxa das blusinhas era o apelido do Imposto de Importação de 20% cobrado desde agosto de 2024 sobre compras internacionais de até US$ 50 (cerca de R$ 260,00) de pessoa física. Uma medida provisória e uma portaria do Ministério da Fazenda zeraram essa alíquota em 12 de maio de 2026, o Congresso aprovou o texto em 3 de setembro e ele virou a Lei 15.502, publicada em 10 de setembro.

A lei também autoriza o Ministério da Fazenda a baixar de 60% para 30% o imposto das compras entre US$ 50 e US$ 3 mil, mudança que depende de um ato próprio para valer.

O fim da taxa das blusinhas, porém, não significa comprar sem imposto: o ICMS, cobrado pelos estados, continua na conta, de 17% a 20% conforme onde você mora, e é calculado de um jeito que pesa um pouco mais do que a alíquota sugere. Onde ela é de 17%, a blusinha de R$ 39,00 com frete grátis, anunciada sem imposto, fecha o pedido perto de R$ 47,00.

E tem letra miúda — a alíquota zero vale para lojas certificadas no programa Remessa Conforme, da Receita Federal (fora delas, o imposto federal é de 60%), e os US$ 50 somam produto, frete e seguro, por isso o preço final ainda varia.

O alívio federal também tem prazo: a partir de janeiro de 2027, essas compras devem passar a pagar a CBS, o novo tributo federal criado pela reforma tributária, com alíquota ainda em definição.

A conta que o cérebro não faz

Ninguém abre o aplicativo pensando “vou gastar R$ 400,00 este mês”: a gente pensa “é só R$ 39,00” e, olhando a compra sozinha, até tem razão. O economista Richard Thaler, Nobel de 2017, chamou de contabilidade mental esse hábito de separar o dinheiro em gavetinhas imaginárias e julgar cada gasto isolado, e não pelo total do mês — e gasto pequeno cai na gaveta do “isso não conta”.

Faça a soma comigo: cinco comprinhas de R$ 40,00 por semana dão R$ 200,00 ou R$ 800,00 em quatro semanas, sem que nenhuma tenha parecido grande na hora de pagar. Num ritmo mais calmo, dez blusinhas de R$ 39,00 no mês já somam R$ 390,00 — quase R$ 400,00.

Quem leva susto com a fatura raramente fez uma compra grande, e sim vinte pequenas. Quem nunca?Não é falta de juízo, é o jeito como o cérebro lida com valores baixos.

As táticas que enchem o carrinho depois da taxa das blusinhas

Sem o imposto federal, o preço baixo convence ainda mais, e algumas táticas trabalham em cima dele. A mais comum é o frete grátis acima de um valor: faltam R$ 12,00 para o frete sair de graça e você coloca no carrinho um item de R$ 18,00 só para chegar lá — se o frete custava R$ 10,00, gastou R$ 18,00 para não pagar R$ 10,00.

O “leve 3, pague menos” segue a mesma lógica, porque o desconto só existe se você levar o que não ia comprar. Já o contador regressivo existe para tirar o seu tempo de pensar, e a notificação de oferta relâmpago chega no intervalo do trabalho ou antes de dormir, quando a guarda está baixa.

Três hábitos para as comprinhas caberem no mês

Com ou sem taxa das blusinhas, o que protege o orçamento é olhar o total:

  • Regra das 48 horas: viu, gostou, deixou nos favoritos e só volta depois de dois dias; se ainda fizer sentido, compra sem culpa — muita coisa perde a graça no caminho.
  • Teto mensal só para comprinhas: escolha um valor, como R$ 150,00 e trate como conta separada — bateu o teto, o resto espera o mês que vem.
  • Soma dos últimos três meses: some tudo o que veio de fora desde julho, porque é esse número, e não o preço de cada blusinha, que mostra o tamanho real do hábito.

Ninguém precisa parar de comprar online: a ideia é que quem decide o total do mês seja você, e não o carrinho.

Se fosse uma compra só, você compraria?

Antes do 11 de novembro e da Black Friday, em 27 de novembro, faça um teste: imagine que as comprinhas de um mês viraram uma única compra de R$ 400,00. Você apertaria “finalizar pedido” nessa? Se a resposta for não, a taxa das blusinhas nunca foi o que mais pesava no bolso.

Hoje, antes de dormir, comece pelo terceiro hábito: abra o histórico de pedidos dos aplicativos em que você compra, some quanto saiu desde julho e anote o total no bloco de notas do celular. Com esse número na mão, você define o teto de novembro e chega às promoções sabendo quanto cabe.

O Clube Utua é uma mídia educativa: este conteúdo é informativo e não constitui recomendação financeira, jurídica ou previdenciária. Informações sobre impostos conferidas em 5 de outubro de 2026; alíquotas podem mudar por ato do governo e o ICMS varia conforme o estado. Os valores de R$ 39,00, R$ 40,00, R$ 150,00 e os totais mensais são exemplos hipotéticos e ilustrativos.

Sobre o Autor

Paula Gargiulo
Paula Gargiulo

Jornalista especializado em Jornalismo Digital, com experiência em SEO, redação web, marketing de conteúdo e estratégias de conteúdo baseadas em dados. Ela é responsável pela estratégia editorial, produção de conteúdo e padrões de qualidade da UTUA, garantindo precisão, consistência, clareza e alinhamento com os padrões de comunicação editorial e financeira em todos os materiais publicados. Desde 2020, ela contribuiu com mais de 20.000 peças de conteúdo em mais de 60 países.