Você já deve ter reparado que, em alguns meses, a conta de luz vem mais alta mesmo sem você ter mudado nada no consumo da sua casa, não é mesmo? Na maioria das vezes, esse encarecimento está ligado ao uso de termoelétricas na produção de energia, que ocorre em momentos de seca nos reservatórios brasileiros.
Quando o sistema hidrelétrico não consegue gerar toda a energia necessária para abastecer nossas casas, é bem comum ouvirmos que foram acionadas as usinas termoelétricas e, com elas, as bandeiras tarifárias amarela e vermelha (patamar 1 e 2). Em nosso artigo de hoje, vamos descobrir por que isso acontece. Vamos lá?
O que é uma termoelétrica?
Uma termoelétrica é uma usina que gera energia queimando combustíveis como gás natural, carvão ou óleo diesel para aquecer água, produzir vapor e movimentar turbinas que geram eletricidade. É um processo bem diferente do das hidrelétricas, que usam a força da água das represas e são, historicamente, a principal fonte de energia do país, por serem mais baratas e renováveis.
O problema é que o Brasil depende muito da quantidade de chuva para manter os reservatórios cheios, e quando chove menos do que o esperado, o sistema elétrico precisa de uma fonte extra para não faltar energia nas casas e nas indústrias. É aí que entram as termoelétricas.
Por que o acionamento das termoelétricas encarece a conta?
O motivo é simples de entender, mesmo que o efeito no bolso não pareça óbvio à primeira vista: gerar energia nessas usinas custa muito mais caro do que gerar energia em hidrelétricas, porque envolve comprar combustível fóssil, transportá-lo e operar equipamentos que consomem mais recursos.
Quando os reservatórios estão baixos e o Operador Nacional do Sistema Elétrico decide acionar as termoelétricas para reforçar o abastecimento, esse custo extra de operação precisa ser repassado para os consumidores de alguma forma, e é exatamente isso que as bandeiras tarifárias fazem.
Em julho de 2026, por exemplo, está em vigor a bandeira amarela pelo terceiro mês consecutivo, com acréscimo de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos, um sinal de que o cenário hídrico segue em alerta moderado, ainda sem exigir o despacho mais pesado que caracteriza a bandeira vermelha.
Entenda os patamares da bandeira vermelha
Quando a situação piora e a escassez de água nos reservatórios fica mais severa, a bandeira muda de amarela para vermelha, que tem dois níveis de cobrança. No patamar 1, o acréscimo na conta é menor, mas ainda perceptível; no patamar 2, o mais caro de todos, o valor de referência chega a R$ 7,87 a cada 100 kWh consumidos.
E isso deve ao fato de que, nesse cenário, o uso de termoelétricas precisa ser bem mais intenso para evitar risco de desabastecimento. Ou seja, quanto mais essas usinas entram em operação para compensar a falta de chuva, mais cara fica a energia gerada, e mais alta fica a bandeira tarifária cobrada de quem consome.
O que você pode fazer diante dessa variação?
Como o acionamento das termoelétricas depende do nível dos reservatórios e do regime de chuvas, é uma variável que foge do controle do consumidor, mas isso não significa que você fique de mãos atadas diante da conta de luz mais alta.
Vale a pena acompanhar mensalmente qual bandeira está em vigor, ajustar o uso de aparelhos que consomem mais energia, como ar-condicionado, chuveiro elétrico e máquina de lavar e sempre reservar uma margem extra no orçamento doméstico nos meses de bandeira amarela ou vermelha, já que esse acréscimo tende a se repetir enquanto o cenário hídrico não melhorar.
Entender por que as termoelétricas encarecem a conta de luz é o primeiro passo para parar de ser pego de surpresa todo mês. Coloque na sua rotina financeira o hábito de revisar a fatura de energia, guardar uma reserva para os meses de bandeira mais alta e buscar formas de reduzir o consumo. Pequenos ajustes, feitos com constância, fazem diferença real no orçamento ao longo do ano.