04/09/2026
14h10
terras raras

Terras raras viraram um dos assuntos mais comentados quando o tema é disputa comercial entre países. E, entre tantas conteúdos, fica difícil entender porque elementos químicos são tão relevantes e motivo de diferentes disputas em solo nacional e internacional.

Para você ficar em dia com os noticiários, vamos explicar, hoje, o que esse grupo de minerais tem de tão especial, por que ele virou peça central da geopolítica mundial e o que isso pode significar para a economia brasileira e para o seu bolso, mesmo que pareça um assunto distante do seu dia a dia.

O que são terras raras?

Terras raras são um grupo de 17 elementos químicos usados na fabricação de tecnologias essenciais para o mundo moderno: ímãs de motores de carros elétricos, turbinas eólicas, baterias, sensores de smartphones e até equipamentos militares de última geração.

Apesar do nome, elas não são necessariamente raras na natureza — o desafio está em extraí-las e refiná-las de forma economicamente viável, um processo caro e tecnicamente complexo.

Por que as terras raras viraram assunto tão quente?

O mundo vive, ao mesmo tempo, uma corrida pela transição energética e pela tecnologia de ponta — carros elétricos, inteligência artificial, energia eólica — e praticamente todas essas frentes dependem, em algum grau, de terras raras. Isso fez a demanda global disparar nos últimos anos.

O problema é que a produção e, principalmente, o refino de terras raras estão extremamente concentrados: a China responde por cerca de 70% da produção bruta mundial e domina uma fatia ainda maior da etapa de refino, a mais valiosa da cadeia.

Isso dá ao país um poder de negociação enorme, já que outras potências, como Estados Unidos e países da União Europeia, dependem dessas terras raras para suas próprias indústrias.

O papel do Brasil nesse tabuleiro

O Brasil está no meio dessa disputa por um motivo simples: o país tem uma das maiores reservas de terras raras do mundo. Em janeiro de 2026, o Ministério de Minas e Energia anunciou o início da formulação de uma política nacional voltada especificamente para esse setor, sinal de que o tema entrou de vez na agenda estratégica do governo.

Esse interesse não é só teórico: em abril de 2026, a empresa americana USA Rare Earth anunciou a aquisição de participação no Grupo Serra Verde, uma das principais operações de terras raras em território brasileiro — um exemplo concreto de como o interesse internacional já está se traduzindo em movimentos de mercado.

O desafio brasileiro, porém, vai além de ter reservas: o país ainda tem uma cadeia produtiva pouco desenvolvida nas etapas de beneficiamento e refino de terras raras, que são justamente as que agregam mais valor e geram mais tecnologia e empregos qualificados.

Como isso pode impactar a economia e as relações entre países?

Terras raras vêm sendo cada vez mais usadas como moeda de troca em negociações comerciais entre países, incluindo ameaças de restrição às exportações como forma de pressão política. Isso torna o fornecimento desses minerais um fator de risco para cadeias produtivas inteiras, com efeito direto sobre o preço final de carros elétricos, eletrônicos e equipamentos de energia renovável ao redor do mundo.

Para o Brasil, o cenário representa uma oportunidade real de atrair investimento estrangeiro e gerar renda, mas também um alerta: se o país ficar restrito a exportar a matéria-prima bruta, sem desenvolver o refino de terras raras, corre o risco de repetir um padrão histórico de exportar riqueza mineral e importar tecnologia de volta, a um preço muito mais alto.

Mineração de terras raras também tem seus custos

Vale lembrar que extrair e refinar terras raras não é um processo sem consequências. A atividade de mineração ligada a esses elementos costuma gerar rejeitos e, em alguns casos, materiais radioativos associados, o que exige um licenciamento ambiental rigoroso e investimento em segurança.

Países e empresas que querem desenvolver essa cadeia de terras raras precisam equilibrar o interesse econômico com a responsabilidade socioambiental das comunidades ao redor das áreas de mineração.

Esse é mais um motivo pelo qual desenvolver uma cadeia nacional de terras raras não é uma decisão simples nem rápida: envolve regulação, financiamento de longo prazo e diálogo com as comunidades impactadas, além da própria disputa geopolítica em torno do tema.

Um assunto distante que chega perto do seu bolso

Acompanhar esse tipo de notícia ajuda a entender de onde vêm as tecnologias que usamos todos os dias e como decisões tomadas em outros países podem influenciar o preço e a disponibilidade de produtos que você compra ou pretende investir no futuro.

Ficar de olho na economia global, mesmo em temas que parecem distantes, também é uma forma de educação financeira. E é por isso que a gente, aqui do Clube Utua, está sempre em busca de traduzir os temas mais relevantes para uma linguagem simples, do jeito que entendemos no dia a dia.

Sobre o Autor

Emelyn Vasques
Emelyn Vasques

Jornalista, atua há 8 anos nas áreas de assessoria de imprensa, comunicação e produção de conteúdos para diferentes veículos e plataformas. Destaca-se em sua trajetória a experiências como repórter no Jornal Diário do Comércio, especializado na cobertura econômica de Minas Gerais.