11/05/2026
10h48
Tesouro Reserva: o que é, como funciona e quando vale a pena

O Tesouro Reserva é o novo título público lançado pelo Governo Federal nesta segunda-feira, 11 de maio de 2026, com aplicação a partir de R$1,00 rendimento atrelado à Selic e resgate liberado a qualquer momento sem desconto. É, na prática, a tentativa do Tesouro Direto de competir de igual pra igual com a poupança, com os CDBs e com as caixinhas digitais dos bancos.

Mas será que ele realmente vale a pena pra você? Neste guia, você vai entender em detalhe como o Tesouro Reserva funciona, quanto ele rende, em que se diferencia dos demais investimentos de renda fixa e — talvez o mais importante — em quais situações ele faz sentido e em quais ainda existem opções melhores.

O que é o Tesouro Reserva?

O Tesouro Reserva é um título de dívida pública negociado dentro do Tesouro Direto, a plataforma do Governo Federal pela qual qualquer pessoa pode emprestar dinheiro ao Tesouro Nacional em troca de juros. Segundo o Ministério da Fazenda, o produto foi criado especificamente para a formação de reserva financeira, com foco em simplicidade e previsibilidade.

Para quem já conhece o Tesouro Direto, a comparação inevitável é com o Tesouro Selic, que existe desde 2002 e cumpre função parecida. A diferença está em três pontos práticos: o Tesouro Reserva tem aplicação mínima menor (R$1,00 contra cerca de R$100,00 do Tesouro Selic), pode ser comprado e resgatado a qualquer hora — inclusive fora do horário comercial e nos fins de semana — e não traz a chamada marcação a mercado.

O que é marcação a mercado?

É o mecanismo que atualiza diariamente o preço de um título conforme as expectativas do mercado para juros e inflação. No Tesouro Selic tradicional, isso pode reduzir o valor de resgate se o título for vendido em momentos de estresse. No Tesouro Reserva, esse mecanismo não se aplica — o valor recebido no resgate corresponde sempre ao saldo aplicado mais os juros corridos.

Como funciona o Tesouro Reserva na prática

As regras de aplicação e resgate são propositalmente simples — foi nisso que o Tesouro apostou para concorrer com a experiência das fintechs e dos bancos digitais.

✔️ Aplicação mínima: R$1,00 contra os cerca de R$100,00 do Tesouro Selic
✔️ Vencimento: 3 anos a partir da emissão.
✔️ Resgate: a qualquer momento, sem desconto e sem precisar esperar o vencimento.
✔️ Horário de operação: 24 horas por dia, 7 dias por semana — inclusive fins de semana e feriados.
✔️ Liquidação: via PIX, o que aproxima a experiência da que o investidor já tem em caixinhas e contas digitais.
✔️ Risco: baixo, pois trata-se de um título do Governo Federal — historicamente o ativo de menor risco de crédito da economia brasileira.

A possibilidade de resgate imediato sem perda de valor é o grande argumento de venda do produto. Em outros títulos do Tesouro Direto, quem precisa resgatar antes do vencimento pode receber menos do que aplicou (no caso do Tesouro Prefixado e do Tesouro IPCA+) ou um valor levemente diferente do esperado (no Tesouro Selic, em raríssimas janelas de estresse). No Tesouro Reserva, isso não acontece.

Quanto rende o Tesouro Reserva?

O Tesouro Reserva tem rentabilidade atrelada à taxa Selic, que está hoje em 14,50% ao ano. O que ainda não foi detalhado oficialmente pela Secretaria do Tesouro Nacional é se a remuneração será equivalente a 100% da Selic ou se haverá algum desconto sobre essa taxa — um ponto que deve ser confirmado nos primeiros dias de operação do título.

Para deixar claro, vale fazer uma simulação considerando o cenário de 100% da Selic, que é a hipótese de referência. Com a Selic em 14,50% ao ano, uma aplicação de R$1.000,00 mantida por 12 meses renderia, antes dos impostos, cerca de R$145,00. Considerando a alíquota de Imposto de Renda de 17,5% aplicada nessa faixa de prazo, o ganho líquido cairia para algo em torno de R$120,00. Em três anos, sem novos aportes e mantendo a Selic estável (hipótese que dificilmente se sustenta), o saldo bruto passaria de R$1.500,00.

Por se tratar de um produto pós-fixado, o investidor não sabe exatamente quanto vai ter no final — o rendimento acompanha as variações da Selic. Em ciclos de queda dos juros, a rentabilidade desacelera; em ciclos de alta, ela acelera. Por isso o produto se encaixa especialmente bem em reservas de curto e médio prazo, onde a previsibilidade do montante não é tão crítica quanto a segurança e a liquidez.

Tesouro Reserva vs poupança

Aqui a vantagem do Tesouro Reserva é nítida. A poupança rende hoje 70% da Selic mais a TR (Taxa Referencial, atualmente em torno de zero), enquanto o Tesouro Reserva tende a render próximo de 100% da Selic.

Mesmo descontando o Imposto de Renda, o retorno líquido do Tesouro Reserva continua acima da caderneta em praticamente todos os cenários de juros altos. A poupança ainda leva vantagem em dois pontos: é isenta de IR e o dinheiro aplicado por menos de 30 dias não rende nada (mas também não sofre IOF, como o Tesouro). Para quem só guardaria por uma ou duas semanas, faz pouca diferença; para qualquer prazo um pouco maior, o Tesouro Reserva ganha.

Tesouro Reserva vs CDB de liquidez diária

Aqui a disputa é mais equilibrada. CDBs de bancos médios costumam pagar entre 90% e 110% do CDI (que anda colado na Selic) com liquidez diária e proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até R$250 mil por CPF e por instituição.

Quando o CDB paga 105% do CDI ou mais, o retorno líquido tende a superar o Tesouro Reserva. A contrapartida é o risco de crédito do banco emissor — protegido pelo FGC, mas sujeito ao tempo de espera caso o banco quebre.

Para quem prioriza retorno e tolera esse risco controlado, o CDB ainda é uma escolha forte. Para quem quer dormir tranquilo sem precisar acompanhar a saúde do banco, o Tesouro Reserva entrega a contraparte mais segura possível.

Tesouro Reserva vs LCI e LCA

Esse é o duelo mais delicado pro Tesouro Reserva. As Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA) costumam pagar entre 85% e 100% do CDI, mas têm isenção de Imposto de Renda para pessoa física.

Na prática, uma LCI a 95% do CDI rende mais no líquido do que um Tesouro Reserva pagando 100% da Selic em quase qualquer faixa de prazo. O calcanhar de Aquiles das LCIs e LCAs é a liquidez: a maioria exige carência de 90 dias ou mais, e a aplicação mínima costuma ser maior (R$100,00 a R$5 mil, dependendo da emissão). Resumindo: se você pode segurar o dinheiro alguns meses, LCI/LCA ainda tende a vencer. Se precisa de saque imediato, Tesouro Reserva passa na frente.

Tesouro Reserva vs Tesouro Selic

O Tesouro Reserva ganha em três frentes objetivas: aplicação mínima muito menor, operação 24 horas por dia inclusive nos fins de semana, e ausência de marcação a mercado. No rendimento, ainda é cedo para afirmar quem rende mais, porque o percentual exato da Selic pago pelo Tesouro Reserva não foi divulgado pela Secretaria do Tesouro Nacional.

O Tesouro Selic tradicional paga 100% da Selic mais um pequeno spread (positivo ou negativo) definido em cada emissão. Se o Tesouro Reserva pagar 100% da Selic limpo, os dois ficam praticamente empatados em rentabilidade — e o Reserva ganha pela flexibilidade. Se o Reserva pagar menos que 100%, o Tesouro Selic continua mais atrativo para quem não precisa de saque fora do horário comercial.

E os custos?

Vale lembrar que o Tesouro Reserva carrega a taxa de custódia da B3 de 0,20% ao ano sobre o valor aplicado, com isenção para aplicações de até R$10 mil. CDBs, LCIs e LCAs costumam não cobrar taxa extra, a poupança também não cobra. Para valores até R$10 mil, o Tesouro Reserva fica empatado em custo. Acima disso, perde um pouco para os concorrentes — mas a diferença ainda é modesta no resultado final.

Como investir no Tesouro Reserva

Por enquanto, o Tesouro Reserva está disponível apenas para clientes do Banco do Brasil, que desenvolveu o produto em parceria com a Secretaria do Tesouro Nacional. A oferta em outras corretoras e bancos deve acontecer de forma gradual, conforme cada instituição faça a adesão ao novo título — não há prazo único anunciado pelo Ministério da Fazenda.

Para quem é cliente do Banco do Brasil

  1. Abra o aplicativo de investimentos do Banco do Brasil.
  2. Acesse a área do Tesouro Direto.
  3. Selecione o Tesouro Reserva entre os títulos disponíveis.
  4. Defina o valor da aplicação (a partir de R$ 1) e confirme a operação.
  5. O dinheiro pode ser aplicado e resgatado a qualquer hora, com liquidação via PIX.

Para quem é cliente de outras corretoras

Se você usa XP, Rico, BTG, Nubank ou outra corretora, vai precisar aguardar a disponibilização do título na sua plataforma. Vale acompanhar os comunicados oficiais — instituições maiores tendem a oferecer o produto nas próximas semanas, mas isso ainda depende de cada banco implementar a integração com o sistema do Tesouro.

Taxas e impostos do Tesouro Reserva

Como todo investimento do Tesouro Direto, o Tesouro Reserva está sujeito a três tipos de cobrança que reduzem seu rendimento líquido: Imposto de Renda, IOF (em casos específicos) e a taxa de custódia da B3.

Imposto de Renda regressivo

O IR segue a tabela regressiva padrão da renda fixa, em que a alíquota cai quanto mais tempo o investimento ficar aplicado:

✔️ Até 180 dias: 22,5%
✔️ De 181 a 360 dias: 20%
✔️ De 361 a 720 dias: 17,5%
✔️Acima de 720 dias: 15%

O imposto incide apenas sobre o rendimento, não sobre o valor total aplicado. Se você investe R$1.000,00 e o saldo cresce para R$1.100,00, o IR é cobrado apenas sobre os R$100,00 de ganho. O recolhimento é automático: a corretora ou o banco já desconta o valor no momento do resgate.

IOF nos primeiros 30 dias

O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) incide se você resgatar o dinheiro nos primeiros 30 dias da aplicação. A alíquota é regressiva diariamente e zera no 30º dia. Por isso, embora a liquidez seja diária, vale evitar resgates muito rápidos quando possível.

Taxa de custódia da B3

A B3 cobra uma taxa de custódia de 0,20% ao ano sobre o valor aplicado em títulos do Tesouro Direto, dividida em duas parcelas semestrais. A boa notícia é que aplicações de até R$10 mil são isentas dessa cobrança — o que cobre a faixa em que a maior parte das reservas de emergência se encaixa. Vale ressaltar que, no caso do Tesouro Reserva, a B3 ainda não confirmou oficialmente o valor da taxa, mas a expectativa é que siga o mesmo padrão dos outros títulos.

Quando o Tesouro Reserva vale a pena?

Para alguns perfis de investidor, o Tesouro Reserva resolve um problema real. Para outros, é apenas mais um produto na prateleira. Faz sentido considerar o Tesouro Reserva se você se identifica com pelo menos uma destas situações:

➡️ Está construindo reserva de emergência: A combinação de risco baixo, liquidez imediata e ausência de marcação a mercado torna o produto especialmente adequado para o dinheiro que precisa estar disponível a qualquer momento.

➡️ É iniciante e quer sair da poupança: A aplicação mínima de R$1,00 e a simplicidade da operação derrubam barreiras de entrada que travam muita gente. O rendimento é claramente superior ao da caderneta.

➡️ Tem valores até R$10 mil: Nessa faixa, a isenção da taxa de custódia da B3 maximiza o retorno líquido.

➡️ Quer manter o dinheiro com o Tesouro Nacional: Se você prefere o risco soberano ao risco de banco — mesmo com a proteção do FGC —, esse é o produto.

Quando o Tesouro Reserva NÃO é a melhor escolha

Igualmente importante é reconhecer onde o produto fica para trás. O Tesouro Reserva pode não ser a opção ideal para você se:

➡️ Você tem prazo definido de 6 meses ou mais: Nesse caso, LCIs e LCAs costumam render mais no líquido por causa da isenção de IR — mesmo pagando uma taxa nominal menor.
➡️ Você consegue acessar CDBs com 105% a 110% do CDI: Bancos médios oferecem CDBs com liquidez diária e rentabilidade nominal acima do CDI, com proteção do FGC até R$250 mil. Para valores nessa faixa, o retorno líquido tende a ser superior.
➡️ Você tem mais de R$10 mil aplicados: Acima desse valor, a taxa de custódia da B3 começa a corroer o rendimento. A diferença ainda é pequena, mas pesa em comparações finas.

Em resumo: vale acompanhar o Tesouro Reserva de perto

O Tesouro Reserva nasce com argumentos fortes para se tornar o produto padrão de reserva de emergência no Brasil: aplicação mínima de R$1,00 liquidez 24/7 via PIX, rendimento atrelado à Selic e o conforto de ter o Tesouro Nacional como contraparte. Para quem está saindo da poupança ou começando a investir, ele resolve várias dores de uma vez.

Por outro lado, o produto não elimina a necessidade de comparar opções. CDBs de liquidez diária com taxas acima do CDI e LCIs e LCAs com isenção de IR continuam competitivos em vários cenários. A recomendação prática é simples: aguarde os primeiros dias para confirmar o percentual exato da Selic pago e a taxa de custódia, faça uma simulação com o valor que você pretende aplicar e compare o retorno líquido com as alternativas que você já usa hoje.

Sobre o Autor

Paula Gargiulo
Paula Gargiulo

Jornalista especializado em Jornalismo Digital, com experiência em SEO, redação web, marketing de conteúdo e estratégias de conteúdo baseadas em dados. Ela é responsável pela estratégia editorial, produção de conteúdo e padrões de qualidade da UTUA, garantindo precisão, consistência, clareza e alinhamento com os padrões de comunicação editorial e financeira em todos os materiais publicados. Desde 2020, ela contribuiu com mais de 20.000 peças de conteúdo em mais de 60 países.