17/04/2026
12h47
tokenização de ativos

Os investidores mais experientes estão cada vez mais atraídos pela tokenização de ativos. Com a economia digitalizada e avanços constantes, investir em ativos de alto valor, como galpões logísticos, frotas de veículos e recebíveis do agronegócio, não está mais restrito aos balanços de grandes bancos ou aos fundos fechados.

A chamada Tokenização de Ativos Reais (RWA) transformou esses bens em frações digitais negociáveis, o que permite que o investidor avançado acesse fluxos de caixa diretos com uma eficiência de custos sem precedentes. Ao longo do artigo de hoje, vamos trazer uma visão geral sobre esse tema que tende a crescer nos próximos anos.

O que é a tokenização de ativos?

Tokenizar significa, em resumo, usar a tecnologia para cortar os intermediários (bancos e fundos). Isso permite que qualquer pessoa compre fatias de grandes ativos e receba um lucro maior, porque as taxas que antes ficavam com o banco agora ficam com o investidor.

O grande atrativo aqui não é apenas a tecnologia em si, mas a desintermediação bancária. Ao conectar o tomador de recursos diretamente com o investidor final, eliminam-se as camadas de taxas que historicamente corroem a rentabilidade.

Como isso impacta o Yield?

Nos modelos tradicionais, um Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) ou um fundo imobiliário carrega consigo uma estrutura pesada: taxas de administração, custódia, auditoria e o spread bancário. Na tokenização de ativos, essa estrutura é substituída por uma infraestrutura de Blockchain, e é por isso que esses temas andam sempre juntos.

A redução de custos operacionais com a tokenização de ativos permite que uma fatia maior da taxa paga pelo emissor chegue ao bolso do investidor. Enquanto um fundo tradicional pode entregar CDI + 2%, um ativo tokenizado com o mesmo risco de crédito pode oferecer taxas significativamente superiores, simplesmente por não ter que sustentar a máquina de uma instituição financeira de grande porte.

Smart Contracts e pilares de segurança

A segurança jurídica e operacional da tokenização de ativos reside nos Smart Contracts (contratos inteligentes). Esses protocolos de código autoexecutáveis garantem que as regras de pagamento sejam seguidas sem a necessidade de intervenção humana ou de um agente fiduciário tradicional. De forma prática, quando o devedor paga o recebível, o Smart Contract distribui automaticamente os valores para as carteiras digitais dos detentores dos tokens.

Ainda no que tange à segurança, o investidor pode auditar o fluxo de pagamentos e a existência do lastro diretamente na rede blockchain. Como a custódia e a distribuição são automatizadas, o risco de o intermediário falhar no repasse dos fundos é praticamente eliminado.

Avaliação dos riscos

Embora a tecnologia elimine riscos operacionais, o risco de crédito permanece vinculado à saúde do ativo. Por isso, o investidor deve avaliar não só a tela do aplicativo, mas verificar o lastro real. Vamos supor que o token em que você investiu representa um galpão logístico. Nesse caso, quem é o locatário? Se é um recebível agrícola, qual a safra e quem é o produtor? A qualidade do devedor final continua sendo o principal pilar de segurança.

Além disso, é preciso verificar se o token possui garantias reais (hipotecas, alienação fiduciária) registradas e se essas garantias estão vinculadas ao Smart Contract e certificar-se de que a empresa que realizou a tokenização dos ativos detém uma estrutura de patrimônio de afetação. E por que isso é importante? Por que é isso que garante que os ativos dos investidores não se misturem com o patrimônio da própria plataforma.

Liquidez é vantajosa

Um dos maiores desafios dos ativos reais tradicionais no contexto dos investimentos imobiliários sempre foi a liquidez. Vender uma participação em um imóvel físico pode levar meses e esse processo pode trazer desvalorização. Quando falamos em tokenização de ativos, o mercado secundário funciona de forma contínua.

O investidor pode listar seus tokens para venda em plataformas de negociação a qualquer momento e acessar a liquidez imediata (T+0). Isso atende à demanda de uma nova geração que não aceita mais os prazos de resgate de fundos convencionais e que deseja uma gestão de carteira muito mais dinâmica e oportunista.

A tokenização de ativos (RWA) representa, de certa forma, o amadurecimento do mercado de capitais brasileiro, já que faz a ponte entre uma estrutura centralizada para um ecossistema de acesso direto. Para o investidor que busca taxas acima do CDI com ativos tangíveis, entender a mecânica dos Smart Contracts e a solidez do lastro é a chave para capturar os ganhos da desintermediação.

Sobre o Autor

Emelyn Vasques
Emelyn Vasques

Jornalista, atua há 8 anos nas áreas de assessoria de imprensa, comunicação e produção de conteúdos para diferentes veículos e plataformas. Destaca-se em sua trajetória a experiências como repórter no Jornal Diário do Comércio, especializado na cobertura econômica de Minas Gerais.