Se você está sempre atento aos noticiários brasileiros, deve ter ouvido falar que o mercado de trabalho formal está crescendo no país. De acordo com dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) Mensalizada, divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego no último 24 de junho, o Brasil bateu um recorde em 2026, com 62,2 milhões de vínculos ativos em fevereiro.
O número representa um crescimento de 3,6% em apenas um ano e é uma notícia recebida com muita alegria. Afinal, o desemprego não é interessante para ninguém, não é mesmo? Mas você sabe o que significa, de verdade, ter um emprego formal? Qual a diferença desse tipo de trabalho para os chamados informais? É isso que vamos descobrir juntos hoje.
O que é considerado trabalho formal?
Trabalho formal é aquele que tem registro em carteira de trabalho, seja ela física ou digital. Também chamado de emprego com carteira assinada ou emprego CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), esse tipo de vínculo empregatício é regulamentado por lei e garante ao trabalhador uma série de direitos que o protegem durante e após o período de trabalho.
Para o governo, o trabalho formal também é aquele registrado no CNPJ da empresa, com recolhimento de contribuições ao INSS e ao FGTS. Abaixo, vamos conferir, na prática, o que uma pessoa recebe quando está nesse grupo de pessoas, do chamado trabalho formal.
Quais direitos o trabalho formal garante?
Quem tem carteira assinada (trabalho formal) tem garantido por lei:
✔️ FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço): um fundo que o empregador deposita mensalmente e que pode ser sacado em situações específicas, como demissão sem justa causa, compra da casa própria ou doenças graves.
✔️ INSS: contribuição para a previdência social que garante aposentadoria, auxílio-doença, licença-maternidade e outros benefícios.
✔️ 13º salário: um salário extra pago todo ano.
✔️Férias remuneradas: 30 dias de descanso por ano, com pagamento.
✔️ Seguro-desemprego: auxílio financeiro em caso de demissão sem justa causa.
E o trabalho informal, o que é?
O trabalho informal é aquele que acontece sem registro em carteira e sem garantias legais. Pode ser um bico, um serviço autônomo sem contrato formal, ou até um emprego fixo em que o empregador simplesmente não assina a carteira.
Trabalhar informalmente não é crime para o trabalhador. Em muitos casos, é a única opção disponível no momento. Mas é importante entender os riscos: sem INSS, o trabalhador não acumula tempo de contribuição para a aposentadoria. Sem FGTS, não tem reserva financeira em caso de demissão. Sem registro, não tem direito ao seguro-desemprego.
O que observar ao trabalhar no mercado informal
Se você está no mercado informal por necessidade ou por opção, algumas atitudes podem proteger suas finanças, conforme veremos abaixo.
✔️ Contribuir como autônomo para o INSS, por conta própria, garante acesso à aposentadoria e a benefícios como o auxílio-doença.
✔️ Guardar uma reserva de emergência é ainda mais importante para quem não tem FGTS.
✔️ Formalizar-se como MEI (Microempreendedor Individual) pode ser uma boa opção para quem presta serviços com regularidade. Além de pagar menos imposto, o MEI tem acesso ao INSS e a outros benefícios.
Entender seus direitos é o primeiro passo para protegê-los
Com mais de 62 milhões de empregos formais no Brasil, o mercado de trabalho sinaliza crescimento. Mas é fundamental que o trabalhador saiba o que está dentro ou fora da carteira assinada, quais benefícios lhe pertencem e como se proteger quando a formalidade não for uma opção imediata.
Conhecimento sobre direitos trabalhistas não é assunto só de advogado. É parte essencial da sua educação financeira, e entender essa diferença pode mudar a forma como você enxerga e negocia cada oportunidade de trabalho.