Você já ouviu falar em troca intertemporal? Provavelmente, o termo técnico é algo desconhecido por muitos brasileiros, mas o seu conceito está presente em cada compra que fazemos ou em cada vez que tomamos uma decisão sobre o nosso dinheiro. Essa expressão significa, basicamente, a relação das escolhas diárias com o nosso futuro financeiro.
Nos dias de hoje, com tantos impulsos e facilidades para fazer compras com poucos cliques, é muito comum pensarmos somente no prazer imediato daquela transação, mas a verdade é que estamos constantemente negociando com o nosso futuro. Por isso, hoje vamos conversar sobre a troca intertemporal, que é um conceito que pode mudar a forma como você consome – para o bem, é claro.
O que é a troca intertemporal?
Apesar desse nome difícil, a troca intertemporal é justamente a relação entre o que você decide gastar hoje e o impacto dessa escolha em seu futuro. Aqui, não existe certo ou errado, mas consequências: se eu gasto muito hoje, pode ser que falte dinheiro lá na frente. Ou, se eu decido fazer sacrifícios hoje, o meu futuro pode ser de mais liberdade financeira, segurança e tranquilidade.
Efeitos práticos
A troca intertemporal, portanto, nos faz refletir sobre os efeitos das decisões atuais sobre o nosso futuro. Se formos pensar em exemplos práticos, essa explicação fica ainda mais interessante. Suponha que você quer um smartphone que custa R$ 4.000,00. É o celular dos seus sonhos, mas você só tem metade do valor para comprá-lo.
Você tem algumas opções: aplicar o valor que tem em investimentos de alta liquidez (que podem ser resgatados em 6 meses, por exemplo), o que fará com que esse valor renda um pouquinho, e juntar o restante do valor ou pode utilizar o cartão de crédito para parcelar a outra metade (2 mil reais) em 10 veze sem juros, caso tenha esse limite.
Se você opta pela primeira opção, por mais que tenha que esperar mais tempo para realizar esse desejo, verá o seu dinheiro crescendo e poderá negociar descontos pela compra à vista. Mas se preferir uma compra mais rápida, terá que arcar com esse peso no orçamento ao longo de 10 meses e até mesmo correr o risco de se endividar ao longo do tempo caso não consiga, por diferentes motivos, cobrir esses custos futuramente.
Adiar o consumo é sempre a melhor opção?
Como dito anteriormente, não existe certo ou errado. Mas a troca intertemporal é uma ferramenta para você fazer escolhas mais inteligentes, dentro do tempo que você pode esperar. Não é interessante, por exemplo, buscar um empréstimo para compras, pois o custo do crédito é bastante alto na maioria das vezes.
Ao postergar o consumo, você pode garantir rendimentos por meio de aplicações financeiras seguras e mais adequadas ao tempo que você tem disponível. Ou seja, como recompensa pela sua paciência, você garante uma vida financeira mais estratégica, em que é possível consumir de forma consciente e sem apertar o orçamento.
Esperamos que tenha gostado de conhecer a troca intertemporal e que comece a incluí-la em suas decisões financeiras. Assumir uma postura devedora, de consumo imediato, pode trazer juros, mas ter uma postura credora, em que você investe para consumir depois e recebe ao longo desse tempo são decisões que você deve negociar com o seu “eu”, o tempo todo.