A geladeira começa a fazer um barulho estranho, para de gelar direito, e, após a avaliação de um técnico, o orçamento assusta. Neste momento, vem aquela famosa dúvida: será que vale mais a pena consertar ou trocar eletrodomésticos? Existe uma conta que nos ajuda a tomar essa decisão?
Uma referência bastante citada vem da americana Consumer Reports, organização sem fins lucrativos que testa produtos, em material publicado em janeiro de 2014, e é simples de aplicar: se o conserto custar mais da metade do preço de um aparelho novo equivalente, a troca costuma compensar mais no fim das contas.
No artigo de hoje, você vai entender de onde vem essa referência e quais outros fatores pesam na decisão. A ideia aqui não é dizer que consertar ou trocar eletrodomésticos é sempre a escolha certa, mas ajudar você a fazer essa conta com mais segurança da próxima vez que isso acontecer.
De onde vem essa “regra dos 50%”
A recomendação apareceu num relatório da Consumer Reports sobre quando consertar ou trocar eletrodomésticos, montado a partir de uma pesquisa com 29.281 assinantes sobre a experiência deles com os próprios aparelhos. O conselho era direto: não vale a pena gastar mais de 50% do valor de um produto novo para consertar o antigo.
Vale dizer que esse percentual não é uma fórmula fechada. A própria Consumer Reports revisou a orientação nos últimos anos e passou a usar uma calculadora que considera o preço pago, a idade do aparelho e o custo do conserto, com base em dados de mais de 500 mil produtos comprados entre 2012 e 2022. Por isso, a regra dos 50% funciona melhor como um primeiro filtro, que depois a gente cruza com a idade e a vida útil esperada do aparelho.
Imagine, por exemplo, um orçamento de R$ 900,00 para trocar o compressor de uma geladeira que, nova, sairia por R$ 1.600,00. Fazendo as contas, o valor do conserto ultrapassa 50% do valor do aparelho novo (fica em cerca de 56%), apontando a troca como mais vantajosa — valores apenas ilustrativos.
Consertar ou trocar eletrodomésticos: o que considerar?
A idade do aparelho é um dos fatores mais citados por especialistas: em uma geladeira com mais de 10 anos de uso, o conserto tende a compensar menos, quando comparado a um modelo de cerca de 3 anos, para o qual o reparo pontual costuma valer a pena.
Também importa observar se o problema é isolado ou se já é o segundo ou terceiro defeito em pouco tempo, se o aparelho ainda está na garantia — o que pode tornar o reparo gratuito, quando o defeito é coberto — e qual peça está com defeito, já que placas eletrônicas e compressores custam bem mais para substituir do que termostatos ou fusíveis simples.
Em aparelhos que ficam ligados o tempo todo, como a geladeira, a conta de luz também entra na decisão: modelos antigos costumam gastar mais energia do que um novo com boa classificação no selo Procel, e essa diferença aparece todo mês no boleto da distribuidora.
O passo a passo antes de autorizar qualquer serviço
Antes de dizer sim ao técnico, peça o orçamento por escrito. Isso não é favor: pelo Código de Defesa do Consumidor (art. 40), quem presta o serviço é obrigado a entregar um orçamento prévio com o valor da mão de obra e das peças separados, as condições de pagamento e as datas de início e fim, e esse valor vale por 10 dias, salvo combinação diferente.
Com o papel em mãos, compare esse total com o preço de um modelo novo equivalente ao seu, pesquisado na mesma semana – preços de eletrodomésticos mudam com frequência, então uma pesquisa feita meses atrás pode já não valer mais.
Em seguida, é hora de passar o resultado pelos outros fatores que vimos acima. Só depois de juntar essas informações — e não no calor do momento, com o técnico esperando uma resposta — é que faz sentido decidir. Se a escolha for o conserto, vale lembrar que o serviço também tem garantia: pelo CDC, você tem 90 dias para reclamar se o reparo apresentar problema.
Não existe uma resposta única para “sempre consertar” ou “sempre trocar eletrodomésticos”: existe uma conta que muda conforme o aparelho, a idade dele e o tipo de defeito. Da próxima vez que um eletrodoméstico importante der problema, vale guardar o orçamento por escrito (uma foto no celular já resolve), comparar com a regra dos 50%, olhar a idade do aparelho e só então decidir com o técnico.