Você já ouviu falar em radar de velocidade média? Diferente do radar tradicional, que mede a velocidade em um ponto fixo da estrada, esse novo equipamento calcula a velocidade média percorrida pelo motorista entre dois pontos de um trecho de rodovia.
A tecnologia, que começou a ser testada em setembro de 2026 em rodovias federais de oito estados brasileiros, foi autorizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e já traz dúvidas sobre a possibilidade de aplicação de multas.
Por isso, no Clube Utua, vamos trazer todos esses detalhes para você ficar bem informado. Vamos ver?
Como funciona o radar de velocidade média?
O radar de velocidade média funciona de um jeito diferente do radar comum. Em vez de flagrar o carro em um único ponto da pista, o sistema registra o horário em que o veículo passa por um primeiro ponto do trecho monitorado e o horário em que ele passa por um segundo ponto, mais à frente.
Com a distância entre os dois pontos e o tempo gasto no percurso, o equipamento calcula a velocidade média mantida pelo motorista ao longo daquele trecho, e não apenas em um instante isolado.
Essa forma de medir a velocidade média é considerada mais eficaz para identificar quem dirige em alta velocidade durante boa parte do trajeto, e não só na hora de passar por um radar pontual.
Onde o teste está acontecendo?
É importante deixar claro que esse radar de velocidade média ainda não está em todo o Brasil. Por enquanto, o projeto-piloto autorizado pela ANTT roda em trechos de rodovias federais de apenas oito estados: Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Ou seja, se você mora em outro estado, ainda não deve encontrar esse equipamento nas estradas da sua região, já que a iniciativa é regional e está restrita a alguns trechos específicos de rodovias federais, as chamadas BRs, dentro desses territórios.
Por que esse sistema foi criado?
A ideia de calcular a velocidade média ao longo de um trecho surgiu para resolver um problema conhecido dos radares tradicionais: muitos motoristas reduzem a velocidade apenas nos metros finais antes de um radar fixo e aceleram de novo logo em seguida, mantendo, na prática, uma velocidade média perigosa ao longo de boa parte do trajeto.
Ao medir a velocidade média entre dois pontos, em vez de flagrar só um instante isolado, a tecnologia tende a incentivar uma condução mais constante e mais segura durante todo o percurso.
Trechos de rodovia com histórico de ultrapassagens arriscadas, curvas ou obras costumam ser os primeiros candidatos a receber esse tipo de monitoramento, já que é justamente nesses pontos que manter uma velocidade média equilibrada faz mais diferença para reduzir acidentes.
A velocidade média já pode gerar multa?
Ainda não. Segundo as regras atuais, os projetos-piloto têm duração inicial de 180 dias a partir do início efetivo do monitoramento – podendo ser prorrogada -, e nesse período nenhuma multa será aplicada com base apenas na velocidade média calculada pelo sistema.
A ideia, por enquanto, é reunir dados técnicos sobre o funcionamento do equipamento antes de qualquer decisão sobre fiscalização. Existe, no entanto, um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional que pretende dar validade jurídica à velocidade média apurada nesses trechos, o que poderia, no futuro, permitir que esse tipo de cálculo gerasse multas de verdade.
Por que respeitar a velocidade protege a sua vida e o seu bolso?
Mesmo sem multa prevista por enquanto, vale a pena já se acostumar com o conceito de velocidade média, porque multas de trânsito pesam direto no orçamento, e não é só o valor da multa em si: o excesso de velocidade também aumenta o consumo de combustível e o risco de acidentes, que trazem gastos ainda maiores com conserto do carro ou até problemas de saúde.
Manter uma velocidade média constante e dentro do limite, em vez de acelerar e frear o tempo todo, também ajuda a economizar combustível a médio prazo. Se esses testes avançarem e a velocidade média passar a valer para multas, respeitar o limite de velocidade desde já evita qualquer surpresa desagradável no seu bolso lá na frente.
Por fim, lembre-se: respeitar a velocidade da via é fundamental para preservar a vida de todos. Fazer do trânsito um lugar mais seguro é um dever de cada um de nós.