Você já ouviu falar nos vieses da poupança? Muitas vezes, as pessoas começam o ano com promessas de que vão começar a guardar uma determinada quantia de dinheiro, mas os meses passam e, de repente, um novo ano chegou e aquela tarefa não foi cumprida por diferentes motivos.
Nem sempre, contudo, isso significa que uma pessoa não é comprometida com o próprio futuro. Ao mesmo tempo, pode ser que o que está atrapalhando não seja a inflação mais alta ou os juros de um empréstimo, mas sim os vieses da poupança. E sabe quem pode ser a vilã nessa história? A nossa própria mente.
O que são os vieses da poupança?
Assim como existem armadilhas mentais que nos fazem gastar por impulso, a nossa mente também cria bloqueios poderosos que nos impedem de acumular riqueza. No mundo das finanças comportamentais, chamamos esses bloqueios de vieses da poupança. Eles são pequenos “curtos-circuitos” no nosso julgamento que transformam o ato de guardar dinheiro em um sacrifício quase impossível.
Para ajudar você a blindar o seu bolso, mapeamos os principais sabotadores da sua poupança. Ao identificar e nomear os vieses da poupança, é possível criar estratégias para superá-los e conseguir, enfim, tirar a reserva de emergência e os investimentos para diferentes objetivos do papel.
A armadilha da zona de conforto (viés do Status Quo)
Sabe aquele plano de celular caro que você não usa direito, mas não cancela porque “dá muita preguiça ligar lá”? Isso é o viés do status quo. O nosso cérebro adora economizar energia, e por isso, nós temos uma tendência enorme de deixar as coisas exatamente como estão, mesmo sabendo que uma mudança faria bem ao nosso bolso.
Por isso, sempre indicamos aqui no Clube U. que você faça uma revisão periódica daquelas contas que não fazem mais sentido, como desativar o streaming que você não aproveita no dia a dia. E sabe outra dica para mudar o jogo de vez? Pague-se primeiro! É isso mesmo: programe transferências automáticas para a sua poupança ou para outros tipos de investimentos, de modo que o dinheiro não acabe antes de você investir em si mesmo e no seu futuro.
A ilusão do plano perfeito (falácia do planejamento)
Esse também é um dos vieses da poupança mais comuns e acontece quando a gente decide virar a vida financeira de cabeça para baixo do dia para a noite. Você baixa cinco aplicativos de controle, cria uma planilha com dezenas de categorias, corta todos os cafezinhos e promete guardar metade do salário. O que acontece uma semana depois? Você se sente exausto, acha tudo muito difícil e joga a toalha.
Para isso não acontecer, vamos pensar que o na constância: comece guardando pequenas quantias, cortando gastos desnecessários, dentro daquilo que é possível. Afinal, você está reorganizando as suas finanças, não é mesmo? Então é preciso criar um ritmo que não te deixa frustrado o tempo todo, até que você comece a perceber o quão benéfico é formar a sua primeira poupança.
O viés do crescimento exponencial
Entre os vieses da poupança, o do crescimento exponencial está muito relacionado a esse contexto, porque demonstra justamente que as pessoas deixam de acreditar que pequenos passos podem significar grandes resultados a longo prazo. Mas na vida financeira, o que precisamos entender é o poder dos juros compostos.
Aplicar R$ 100,00 por mês ao longo dos anos fará sim uma grande diferença a longo prazo. Para investimentos de aposentadoria, por exemplo, em que as pessoas devem começar cedo para garantir a tranquilidade financeira, a mágica também acontece com a constância. Ao longo do tempo, você também passa a entender mais sobre investimentos e aplicar o dinheiro em ativos mais rentáveis.
O otimismo cego: “no futuro eu dou um jeito”
Ser otimista é maravilhoso para a vida, mas pode ser perigoso para as finanças.. O viés do otimismo nos faz acreditar que sempre podemos deixar para poupar amanhã. Essa crença de que “no fim dá tudo certo” nos tira a urgência de montar uma reserva de emergência ou de pensar na aposentadoria.
E para afastarmos essa distorção, que é mais um dos vieses da poupança, precisamos lembrar que a vida tem imprevistos, como a demissão em um bom emprego. Por isso, não adie a necessidade de começar a construir uma reserva de emergência e o próprio patrimônio, pois são esses passos que vão ajudar na tranquilidade que você tanto sonha.
O peso do “eu mereço hoje” (viés do presente)
Esse aqui é um dos vieses da poupança mais conhecidos e sempre falamos sobre isso aqui, no Clube U..O viés do presente é aquela voz na nossa cabeça que diz: “eu trabalhei a semana inteira, eu mereço pedir esse delivery caro hoje”. Nós temos a tendência natural de valorizar muito mais o prazer imediato do que uma recompensa que só virá daqui a anos. É por isso que o cartão de crédito é tão sedutor e a poupança parece tão chata.
É por isso que insistimos no planejamento financeiro, em que você dá nome para as suas economias.. Não poupe apenas por poupar, mas para objetivos e metas financeiras importantes: dar entrada em uma casa, garantir uma aposentadoria sem dificuldades, fazer a viagem dos sonhos e por aí vai. E atenção: coloque esses gastos prazerosos em seu planejamento, pois você merece sim viver o presente desfrutando do dinheiro, mas sempre de forma organizada.
Reflexão final!
Os vieses da poupança nos mostram por que fazemos algo que é prejudicial para o nosso futuro. E com esse conhecimento você será capaz de tomar as rédeas das próprias decisões e entender que o consumo imediato nem sempre é a melhor opção. Sacrificar-se para viver coisas boas no futuro pode nos surpreender. Pense nisso!