24/03/2026
22h00
carry trade

O carry trade é uma estratégia clássica no mercado financeiro, amplamente utilizada por investidores institucionais e grandes fundos ao redor do mundo, em sua essência, consiste em captar recursos em uma moeda com taxas de juros mais baixas e direcioná-los para ativos em outra moeda que ofereça rendimentos mais elevados, buscando lucrar com esse diferencial.

Tradicionalmente, essa operação envolve movimentações internacionais, abertura de contas no exterior e exposição direta a mercados estrangeiros, no entanto, um movimento mais recente começou a ganhar relevância: o chamado carry trade doméstico.

O que está acontecendo com os juros globais?

Nos últimos anos, o cenário global de juros passou por mudanças significativas, impulsionadas por fatores como inflação elevada, políticas monetárias restritivas e diferentes ritmos de recuperação econômica entre países.

Enquanto o Brasil atravessou ciclos de redução da taxa básica de juros após períodos de aperto monetário, os Estados Unidos mantiveram taxas elevadas por mais tempo, como forma de controlar pressões inflacionárias persistentes.

Esse desalinhamento entre as principais economias criou um ambiente propício para estratégias que exploram essas diferenças, especialmente quando se observa que os fluxos de capital nem sempre se ajustam de forma imediata a essas mudanças.

Como funciona o carry trade na prática?

Na versão doméstica dessa estratégia, o funcionamento se torna mais acessível e menos complexo do ponto de vista operacional, em vez de realizar transferências internacionais, o investidor busca ativos disponíveis no Brasil que ofereçam exposição indireta a juros globais ou ao comportamento do dólar.

Isso pode ser feito por meio de fundos cambiais, ETFs internacionais listados na bolsa brasileira, BDRs ou instrumentos financeiros que acompanham títulos do governo americano, como os Treasuries.

Dessa forma, é possível construir uma posição que se beneficia de diferenças de rendimento entre economias, sem sair do ambiente regulado e familiar do mercado local, o que também facilita o acompanhamento e a gestão da carteira.

Onde está a oportunidade de arbitragem?

A oportunidade de arbitragem surge principalmente quando há um desalinhamento entre os juros locais e os juros internacionais, especialmente em situações onde o câmbio ainda não refletiu completamente essa diferença.

Nesses casos, o investidor consegue capturar um “spread” ao combinar ativos atrelados ao dólar com investimentos no mercado doméstico, criando uma estrutura que potencializa retornos, esse tipo de operação depende de timing e leitura de cenário, já que essas distorções tendem a se ajustar ao longo do tempo.

Ainda assim, enquanto persistem, podem gerar ganhos adicionais relevantes, principalmente quando integradas a uma estratégia mais ampla de diversificação e alocação global.

Por que a estratégia de carry trade está ganhando espaço?

O crescimento do carry trade está diretamente ligado à evolução do mercado financeiro brasileiro e à maior democratização do acesso a produtos globais, hoje, investidores conseguem acessar uma ampla gama de ativos internacionais sem precisar abrir contas no exterior, o que torna o processo mais simples, rápido e acessível.

Além disso, o aumento do nível de informação e educação financeira tem levado investidores a buscarem estratégias mais sofisticadas, que vão além das aplicações tradicionais.

Nesse contexto, o carry trade doméstico surge como uma alternativa interessante para quem deseja diversificar a carteira, explorar oportunidades globais e potencializar retornos, sem abrir mão da praticidade e da estrutura do mercado local.

Sobre o Autor

Silvia Azevedo
Silvia Azevedo

Desde 2022 integra o time de conteúdo do Utua, produzindo materiais em diversos idiomas. Com vivência internacional na França e nos Estados Unidos, combina visão analítica e criatividade para promover soluções que unam resultados e impacto positivo.