29/05/2026
10h09
market share

Quando o Nubank ultrapassou os grandes bancos privados em número de clientes, em janeiro de 2026, um conceito voltou ao centro das conversas sobre economia e investimentos: market share.

A expressão aparece em análises de empresas, resultados trimestrais e manchetes de negócios, mas raramente é explicada de forma prática para quem está aprendendo a investir. Vamos desvendar esse tema com a gente, aqui no Clube Utua?

O que é o conceito de market share?

Market share é a participação de mercado de uma empresa dentro do setor em que atua. Em termos simples: de tudo que é vendido ou contratado em determinado segmento, qual é a fatia que pertence a essa empresa?

O conceito pode ser medido de três formas: por volume, levando em conta a quantidade de produtos ou serviços vendidos; por valor, considerando a receita gerada; e por número de clientes.

Foi exatamente essa a métrica que registrou a virada do Nubank no setor bancário: com mais de 112 milhões de usuários, a fintech superou Bradesco, Itaú e Santander, ficando atrás apenas da Caixa Econômica Federal.

Como calcular?

O cálculo básico é direto: divide-se a receita (ou o volume de vendas, ou o número de clientes) da empresa pelo total do setor e multiplica-se por 100. Se uma empresa faturou R$ 20 bilhões em um setor que movimentou R$100 bilhões no mesmo período, seu market share é de 20%.

No setor de telecomunicações, Claro, Vivo e TIM disputam uma fatia de mais de 200 milhões de linhas ativas. Cada ponto percentual de participação representa milhões de clientes e bilhões em receita potencial. No varejo, o avanço do e-commerce redistribuiu as fatias de redes físicas e digitais de forma acelerada ao longo dos últimos anos.

Por que o investidor precisa acompanhar essa métrica?

Aqui está o ponto que separa a análise superficial da análise cuidadosa: uma empresa pode crescer em receita absoluta e ainda assim perder market share. Isso acontece quando o setor cresce mais rápido do que ela. E essa é uma das primeiras bandeiras amarelas que analistas observam antes de uma queda nos lucros.

Imagine uma varejista que aumentou o faturamento em 8% num ano em que o setor cresceu 15%. No papel, ela parece saudável. Na prática, perdeu terreno para os concorrentes, o que pode indicar problemas de competitividade, precificação ou gestão.

Por isso, acompanhar a participação de mercado ajuda a distinguir crescimento real de crescimento apenas nominal. É uma métrica de posicionamento relativo, não absoluto.

Exemplos práticos no mercado brasileiro

O caso do Nubank é emblemático, mas não é o único. No setor de pagamentos, a chegada do Pix redistribuiu o market share entre adquirentes como Cielo e Stone. No varejo, Mercado Livre e Amazon ganharam fatias que antes pertenciam a grandes redes físicas.

Em todos esses casos, quem acompanhava a participação de mercado conseguiu antecipar movimentos que depois se refletiram nas cotações das ações. Essa é a parte prática de como o market share afeta os investimentos.

Para quem analisa empresas na B3, vale buscar, nos relatórios trimestrais e apresentações de resultados, como as próprias companhias descrevem sua posição de mercado. Muitas já divulgam estimativas de market share de forma explícita, o que facilita a comparação ao longo do tempo.

Como usar essa métrica na sua análise

Antes de investir, vale perguntar: essa empresa está ganhando ou perdendo participação no seu setor? O crescimento dela acompanha o ritmo do mercado ou fica atrás? Se o market share está encolhendo, é importante entender o motivo, pois pode ser uma fase de transição ou pode ser um sinal de perda de competitividade estrutural.

Combinar essa métrica com outros indicadores, como margem líquida, crescimento de receita e posicionamento de marca, oferece uma visão mais completa antes de qualquer decisão de compra ou venda de ativos.

Acompanhar a participação de mercado é um passo simples que torna sua análise mais sofisticada e mais parecida com a dos profissionais que movem o mercado.

Sobre o Autor

Emelyn Vasques
Emelyn Vasques

Jornalista, atua há 8 anos nas áreas de assessoria de imprensa, comunicação e produção de conteúdos para diferentes veículos e plataformas. Destaca-se em sua trajetória a experiências como repórter no Jornal Diário do Comércio, especializado na cobertura econômica de Minas Gerais.