Você já reparou que o mesmo hambúrguer pode custar R$ 22 se você for buscar no local e R$ 35 quando pede pelo delivery? A diferença não é aleatória, e tampouco é culpa sua não saber explicar de onde vem. Até 2026, os aplicativos simplesmente não eram obrigados a mostrar esse detalhamento, e o dinheiro sumia sem identificação nenhuma.
A boa notícia é que esse cenário começou a mudar. Em março de 2026, o governo federal publicou a Portaria nº 61, que obriga todos os apps de entrega a exibir, de forma clara, como o valor de cada pedido é dividido entre a plataforma, o restaurante e o entregador.
Como o valor do delivery é dividido na prática
Imagine que você fez um pedido de R$ 35 pelo app. Usando valores fictícios para ilustrar, a divisão poderia funcionar assim: o restaurante recebe em torno de R$ 22, o entregador fica com aproximadamente R$ 7, e a plataforma retém cerca de R$ 6. Cada parte representa um serviço real, o preparo do alimento, o deslocamento até você e a tecnologia que conecta tudo isso.
Além disso, o preço que o restaurante pratica no app costuma ser maior do que o presencial justamente para cobrir a comissão cobrada pela plataforma, que pode girar entre 15% e 30% do valor do pedido. Ou seja, você não paga somente pela conveniência, você também financia toda a estrutura de intermediação que torna o serviço possível.
O que diz a Portaria nº 61/2026 sobre as plataformas digitais de delivery
A norma foi publicada pela Secretaria Nacional do Consumidor, a Senacon, vinculada ao Ministério da Justiça. Com ela, as plataformas digitais de delivery passaram a ter a obrigação legal de apresentar um resumo simples e de leitura imediata, mostrando quanto do valor pago vai para cada parte envolvida na operação.
Antes dessa regulamentação, os aplicativos não tinham essa obrigação, o que criava uma assimetria de informação clara. O consumidor tinha o direito de pagar, mas não o de entender como o dinheiro era distribuído. A portaria está em vigor com fiscalização ativa, e plataformas que descumprirem a norma estão sujeitas a multas que podem chegar a R$ 14 milhões.
O que muda na prática para você
A partir de 2026, ao fechar um pedido de delivery, você deve conseguir ver no próprio aplicativo, ou no recibo, como o valor foi distribuído entre as partes. Isso transforma uma informação que antes era invisível em dado acessível para qualquer consumidor, independentemente do nível de familiaridade com finanças ou com o funcionamento das plataformas.
Essa transparência permite fazer escolhas mais conscientes no dia a dia. Saber que a taxa de entrega e a comissão da plataforma representam uma fatia relevante do total pode ajudar a decidir se vale a pena pedir por um item só ou aguardar para consolidar mais produtos em um único pedido, o que já faz diferença no orçamento ao longo do mês.
Como usar essa informação a seu favor
Acompanhar a divisão dos valores do delivery não precisa virar uma tarefa complicada. Basta olhar o resumo antes de confirmar o pedido ou checar o recibo depois da entrega. Se o aplicativo que você usa não estiver exibindo esse detalhamento, você tem o direito de exigir e pode registrar uma reclamação no Procon da sua cidade ou no site consumidor.gov.br.
Entender para onde vai cada real do seu pedido não significa abrir mão da praticidade do delivery. Significa usar esse serviço com mais consciência, sem surpresas no extrato e com mais clareza sobre o que você está pagando. No fim das contas, informação é uma das ferramentas mais simples e poderosas para cuidar bem do seu dinheiro.