Os gastos de brasileiros no exterior bateram recorde no primeiro semestre de 2026: segundo o Banco Central, foram US$ 12,6 bilhões gastos fora do país entre janeiro e junho, alta de 22,5% frente aos US$ 10,3 bilhões do mesmo período de 2025. É o maior valor para um primeiro semestre desde o início da série histórica, em 1995. E tem um motivo bem claro por trás desse salto: o dólar mais barato.
Não é a primeira vez que isso acontece por aqui. Os gastos de brasileiros no exterior sempre chamam atenção quando o real se fortalece, porque o efeito no bolso de quem viaja ou compra fora é imediato. Só em junho, o brasileiro gastou US$ 2,22 bilhões fora do país, 19,6% a mais que no mesmo mês de 2025.
Dois recortes, dois números: entenda a diferença
Antes de seguir, vale um parênteses, porque você vai ver dois números diferentes por aí sobre os gastos de brasileiros no exterior, e ambos estão certos. O dado do Banco Central, de US$ 12,6 bilhões no semestre, vem do balanço de pagamentos e mede todo tipo de gasto de brasileiro fora do país: cartão, dinheiro vivo, qualquer saída de dólar para turismo ou compras.
Mas existe outro recorte também relacionado ao gastos de brasileiros no exterior, divulgado por bandeiras e adquirentes de cartão, que mede só o que foi gasto no cartão de crédito e débito. Por esse recorte, os gastos de brasileiros no exterior somaram R$ 27,9 bilhões só no primeiro trimestre de 2026, alta de 37% frente ao mesmo período de 2025, sendo R$ 21,7 bilhões no cartão de crédito.
Ou seja: um número é mais amplo e vem em dólar, o outro é mais específico e vem em real. Os dois contam a mesma história, só que por ângulos diferentes, e é importante falar isso para que você possa entender as diferentes notícias que circulam sobre o tema.
Por que os gastos de brasileiros no exterior subiram tanto?
O real ficou mais forte diante do dólar ao longo do primeiro semestre: a cotação abriu 2026 em R$ 5,49 e fechou junho em R$ 5,16, uma queda de 5,8% no período. Na prática, isso significa que cada real do seu bolso passou a comprar mais moeda estrangeira do que antes.
Quando isso acontece, viajar, comprar em sites internacionais ou fazer compras durante uma viagem fica proporcionalmente mais barato, e é esse efeito que está puxando os gastos de brasileiros no exterior para cima.
Pelo recorte de cartão, a Europa segue como destino favorito: entre janeiro e março de 2026, os brasileiros gastaram R$ 11,7 bilhões por lá. Os Estados Unidos vêm em segundo lugar, com R$ 9,7 bilhões movimentados no mesmo período.
Mas é só a queda do dólar que explica esse aumento?
Não é só isso, mas o dólar mais barato é o principal empurrão. Também ajudam fatores como a retomada da renda das famílias, o aumento do crédito disponível e a normalização das viagens internacionais depois de anos de retração. Some a isso a força dos programas de milhas e cashback, que tornaram passagens e hospedagens mais acessíveis para quem planeja com antecedência.
Outro ponto que pesa nos gastos de brasileiros no exterior é o hábito de comprar fora mesmo sem viajar, direto de sites internacionais. Com o dólar mais baixo, produtos importados e assinaturas em moeda estrangeira ficam mais convidativos, e isso também entra na conta.
Cuidados na hora de gastar fora do Brasil
Antes de comemorar o dólar baixo e sair gastando, vale lembrar de alguns detalhes que pesam no bolso. As compras internacionais no cartão de crédito têm IOF de 3,38%, cobrado automaticamente sobre o valor da transação. Some a isso o spread cambial que os bancos aplicam, ou seja, a diferença entre a cotação real do dólar e o valor que o banco usa para calcular sua compra.
Vale comparar, portanto, taxas entre bancos, cartões de débito internacionais e contas digitais voltadas para viagem, porque a diferença de custo entre eles pode ser bem grande. Levantamentos recentes mostram cotações de dólar turismo variando entre R$ 5,03 e R$ 5,08 dependendo da instituição.
Se você está pensando em aproveitar o dólar mais barato, vale montar um planejamento simples antes de gastar: defina um limite mensal para as compras no cartão internacional, acompanhe a cotação com regularidade e guarde uma reserva para imprevistos, porque o câmbio pode mudar de um mês para o outro.
Aproveitar o momento é bom, mas só compensa quando o gasto cabe no seu orçamento sem comprometer outras metas financeiras. Sempre pense nisso ao planejar as suas viagens que demandarão operações em outras moedas e que envolvem o câmbio.